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Até Rouanet tem vergonha da Lei Rouanet

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Depois do fechamento da polêmica exposição de Porto Alegre, sob a alegação de que as obras faziam apologia à pedofilia e à zoofilia, o Santander anunciou que vai devolver aos cofres públicos os R$ 800 mil aprovados pela maldita Lei Rouanet.

O criador dessa lei foi Sérgio Paulo Rouanet (foto), diplomata, filósofo, professor universitário, tradutor, ensaísta brasileiro e membro da Academia Brasileira de Letras.

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Pouca gente sabe que esse culto senhor, hoje com 83 anos, tem vergonha da sua lei. Ele se arrepende até hoje do que fez e não fala sobre o assunto. Numa das poucas vezes em que foi entrevistado disse ter sido um grande equívoco a sua passagem pelo governo Collor.

Entre tantos absurdos, nos últimos anos a Lei Rouanet aprovou incentivos fiscais para um filme sobre José Dirceu, DVD do MC Guimê, turnês milionárias do sertanejo Luan Santana e da cantora Cláudia Leitte, projetos de quem não precisa de ajuda, como Maria Bethania, Caetano Veloso e Gilberto Gil – e autorizou verba até para um espetáculo sobre a porquinha Peppa Pig.

Enfim, se você tiver algum cartucho, envie logo o seu projeto para o Ministério da Cultura e aguarde a isenção no IR. Como os católicos não se importam, Jesus Cristo pode ser usado de cabeça para baixo, fazendo o que você imaginar. Um conselho: só não mexa com Maomé.

Cena inusitada? Chega, não aguento mais.

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Eu sei que a linguagem nas transmissões esportivas precisa ser sempre renovada, mas me incomoda ouvir todo mundo usando os mesmos termos. Teve dia em que eu vi cinco partidas das eliminatórias e, nas cinco, os narradores falaram marcação alta e leitura do jogo.

Num único jogo o comentarista disse várias vezes proposta de jogo, que só perdeu para time alternativo quando o repórter entrou pela terceira vez para repetir que o técnico tinha poupado alguns jogadores.

Não tenho nada contra a criação de novos termos, até porque a gente estaria até hoje ouvindo goalkeeper, off-side, corner, mas é irritante como todos se repetem. Um narrador podia dizer time misto e o outro time reserva. Não, todo mundo fala time alternativo.

Na última terça-feira, num jogo das eliminatórias europeias, eu ouvi o comentarista dizer que os defensores eram muito altos e estavam sofrendo marcação alta, que nada mais é do que a marcação sob pressão, termo feio, antigo, mas bem menos esnobe.

Também me incomoda na imprensa a repetição da palavra inusitado: Bruna Marquezine usou biquíni inusitado, Janot tomou decisão inusitada, Neymar deu um drible inusitado. Isso começou na internet e virou febre. Tanto que no jogo Brasil e Colômbia um repórter disse: “Cena inusitada: cachorro em campo”.

Minha contribuição: incomum, invulgar, inédito, estranho, esquisito, imprevisível, raro, anormal e aí por diante.

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A redenção de mais um.

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A atuação da seleção brasileira no jogo com a Colômbia provou que o técnico Tite realmente montou um time. Não é fácil jogar na quente Barranquilla contra uma equipe que sabe tocar a bola e que precisava de um bom resultado.

Thiago Silva entrou no lugar do contundido Miranda e mostrou porque é considerado um dos melhores zagueiros da Europa. Fernandinho substituiu Casemiro e mostrou porque é um dos xodós do técnico Guardiola no City. O atacante Firmino não foi uma Brastemp, mas também não decepcionou e deverá ser o substituto de Gabriel Jesus.

A partida serviu também para dar mais um passo na redenção dos que participaram dos 7 a 1, como Marcelo, Paulinho, Fernandinho e Willian, lembrando que Neymar, Daniel Alves e Thiago Silva não estiveram no Mineiraço.

De todos os jogadores marcados pela Copa, Willian (foto) é o que se saiu melhor no jogo da Colômbia. Ele vem tendo boas atuações na nova seleção do Tite, mas nunca garantiu a posição, o que deve acontecer depois do seu golaço.

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Na seleção brasileira esse foi o oitavo gol do ex-corintiano que jogou na Ucrânia, na Rússia e hoje é uma das estrelas do Chelsea.

Com 29 anos, mais rodado e experiente, Willian poderá ser titular na Copa. Ele se mexe muito em campo. É um motorzinho.

Tem pai que é cego.

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O humorismo do Jô Soares nos anos 80, no seu programa Viva o Gordo, hoje nem iria mais ao ar com tanto patrulhamento, mas a expressão continua sendo usada quando um pai não quer ver os defeitos do filho.

Na Seleção, o Tite sempre arruma uma desculpa para o Neymar. Claro que o técnico não falaria mal do seu craque num microfone, mas deveria – com todo o seu cacife – ter uma conversa reservada com o jogador exigindo menos espetáculo e mais jogo coletivo.

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Esse é um defeito dos técnicos brasileiros. Com exceção do Luxemburgo, que criticou o time inteiro do Sport depois da goleada para o Grêmio, os outros sempre evitam confrontos. Nem mesmo o Cuca – desafiado pelo Felipe Melo no vestiário – teve a coragem de criticar o Pitbull na entrevista coletiva.

Quando o Neymar resolve a partida com seus dribles geniais, os técnicos se desmancham em elogios. Basta uma crítica ou um desentendimento para que o craque use todo o seu prestígio. Foi assim com o Dorival Júnior no Santos e com o Juan Carlos Unzué, o auxiliar técnico do Barcelona que poderia ter substituído o Luis Enrique.

Esse lado do Tite de se fazer de bobo eu não gosto. Lembro sempre do beijo no Marco Polo Del Nero no dia da sua apresentação como técnico da Seleção. Meses antes, ele tinha assinado um manifesto exigindo a saída do presidente da CBF.

Aleluia! Temos um plano B.

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Pouca gente percebeu como foi boa a atuação do Brasil contra o Equador. A Seleção disputou um primeiro tempo ruim, mas é preciso lembrar que o time do Tite estava com apenas dez jogadores.

No segundo tempo, depois da entrada do Philippe Coutinho, o Brasil se encontrou em campo justamente porque resolveu não depender mais do Neymar.

Eu nunca tinha visto o ex-jogador do Barcelona e hoje estrela principal do PSG jogar tão mal. O excesso de dribles e a teimosia em querer fazer fila dentro da área prejudicaram demais o time brasileiro.

Ainda bem que o Paulinho (foto) resolveu dar uma de centroavante e que o menino Jesus fez aquele milagre antes de devolver a bola para o Philippe marcar o segundo gol.

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O estrelismo do Neymar prejudicou demais a Seleção e nisso o técnico Tite tem sua parcela de culpa. Ele deveria ter chamado a atenção do jogador no intervalo do jogo.

O nosso maior craque precisa entender que malabarismo é bom no circo. Alguém (será que existe esse alguém?) teria de explicar que quando as coisas não estão dando certo é melhor jogar o feijão com arroz.

Craque que é craque também sabe jogar de um jeito simples. É só lembrar aquele passe que o Pelé deu na Copa do México para o Carlos Alberto marcar o quarto gol contra a Itália.

Pizza inesquecível na casa do Faustão.

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Em 2010, numa das tradicionais pizzas do apresentador Fausto Silva, encontrei alguns esportistas famosos, entre eles, Ronaldo Fenômeno, Rivellino, Careca, Mano Menezes, Muricy Ramalho e o veterano técnico Rubens Minelli.

O Faustão estava mais animado do que de costume porque os convidados eram todos do futebol, a sua grande paixão.

Mano Menezes tinha acabado de assumir o cargo de técnico da seleção brasileira. No meio da pizza, surgiu o assunto e o Muricy explicou o motivo de ter recusado o convite feito dias antes pelo presidente da CBF: “O sujeito apareceu de bermuda, com um copo de uísque na mão e sem projeto nenhum”.

O Mano fez cara de quem não entendeu o recado.

O Fenômeno levou na pizza o filho Ronald, na época com 10 anos. O menino acabou dormindo no sofá da sala e, quando acordou, lá pela uma da manhã, entrou no bate-papo e veio com a pergunta: “Pai, quem foi melhor? Você ou o Maradona?”

Enquanto o Ronaldo tentava explicar os estilos diferentes, o empresário e apresentador Beetto Saad disse para o Ronald: “Garoto, seu pai foi gênio da bola, mas este bigodudo aqui (Rivellino) não ficou atrás e este aqui (Careca) foi tão bom como os dois”.

Veio outra pergunta: “Pai, quem jogava mais? Você ou a mamãe?”

O Fenômeno olhou tão feio que o Ronald voltou para o sofá.

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Por que existem internautas tão mal educados?

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Não faço esta coluna para ganhar dinheiro e, muito menos, para receber elogios. Escrevo porque gosto de escrever e porque acho que posso passar para os jovens um pouco da minha experiência conquistada como jornalista em mais de 40 anos de profissão.

Sei que os meus conselhos nem sempre são importantes para essa juventude bem informada e mais preparada. Mas, às vezes, sem querer ser saudosista, eu tento explicar que tal fato já aconteceu, se ele teve um final feliz ou um desfecho desastroso.

O que me revolta depois de quase 200 textos publicados é a ignorância de alguns internautas que vivem escrevendo bobagens quando a opinião deles não é a mesma do colunista. Eles são poucos, mas incomodam.

Eu sei que isso é normal e que os xingamentos acontecem em função de a internet ser um veículo livre e descompromissado. O que me entristece não é essa liberdade exagerada, mas ver que esses ignorantes não sabem nem escrever.

Os palavrões não incomodam tanto e, às vezes, são até divertidos. O problema é a falta de educação recheada de erros gramaticais.

Ah! Quase esqueci. O primeiro título mundial do futebol brasileiro foi conquistado pelo Palmeiras.

Pronto galera. Que os maledettos mal educados tentem escrever um pouco melhor.

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Eu fui testemunha de um crime

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No início dos anos 90, Paulinho Machado de Carvalho, o dono da TV Record, me pediu para fazer o projeto de um programa de esportes com apresentação de Osmar Santos.

Com a ajuda do amigo César Teixeira, que já trabalhava na Rádio Record, o Esporte Debate foi saindo do papel.

Decidimos inserir na vinheta de abertura alguns gols do Pelé e lá fui eu para o arquivo da emissora. Lembro bem de como era escura e sem refrigeração a sala onde a Record guardava os seus rolos de filmes. O desleixo era tão grande que muitos fotogramas já estavam estragados.

Quando aparecia uma caixinha com a etiqueta Gol do Pelé era uma festa, mas eu precisava torcer para que a fita não quebrasse no projetor. Foram dois dias inteiros e cansativos para separar meia dúzia de gols inéditos do Rei.

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Um ano depois, ainda inconformado, comentei com o amigo Dante Mattiussi, na época coordenador artístico da Record, sobre o estado deplorável do arquivo. Ele conseguiu um acordo com a TV Cultura, que se propôs a salvar as fitas usando um equipamento recém-importado em troca de ficar com uma cópia do material restaurado.

Paulinho Machado de Carvalho não autorizou e esse erro absurdo fez com que a memória da televisão brasileira perdesse imagens importantíssimas do nosso passado. Foi um crime.

Como se Deus fosse palmeirense.

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A imagem bizarra do técnico Cuca antes de o lateral Egídio desperdiçar o pênalti na desclassificação do Palmeiras na Libertadores retrata bem o atual estágio dos treinadores brasileiros.

Cuca-rezando

Com sua calça da sorte, cor de vinho, e com a medalha de Nossa Senhora pendurada no peito, o técnico palmeirense ficou rezando como se Deus acompanhasse a Libertadores e não tivesse coisa mais importante para fazer.

Não explicaram também para o Cuca que nem a proximidade existe tanto porque Deus um dia escolheu ser brasileiro, mas depois se arrependeu muito disso.

Sem contar que minutos antes, quando o goleiro Jailson defendeu um pênalti, Cuca esfregou a mão na careca do preparador físico num típico gesto de quem acumula manias e superstições.

Brincadeiras à parte, eu fico imaginando Guardiola, Zidane, Mourinho ou Ancelotti ajoelhados à beira do campo. Certamente eles seriam demitidos porque hoje o futebol é tão profissional que não combina com mandingas ou rezas bravas.

A atitude do Cuca remete ao saudoso João Avelino, que também foi técnico do Palmeiras. Antes de ser auxiliar do Brandão no famoso título corintiano de 77, o engraçado 71, como era chamado, trabalhou no Clube do Remo, em Belém do Pará, onde – dizem – ele mandou diminuir as traves porque o seu goleiro era baixinho demais.

Trabalhei com quatro monstros da comunicação

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Foram 15 anos com Osmar Santos, 25 com Fausto Silva, um ano e meio com Luciano do Valle e alguns meses com Pedro Luiz. Tenho muita saudade desse tempo.

Em 1983 eu parei de trabalhar com o querido Osmar por não concordar com a sua ida para a televisão. Na época, ele dava mais importância à TV Globo do que para as rádios Globo e Excelsior. Eu ficava triste. Na tevê, o Pai da Matéria não tinha a mesma magia.

Com sua rapidez no raciocínio e tiradas engraçadas, Fausto fez sucesso no rádio nos anos 70 como repórter de campo. Antes de se tornar o famoso Faustão eu gostava dele apresentando o programa Balancê da Rádio Excelsior (na foto, junto com o Osmar) e depois o Perdidos na Noite nas tevês Record e Bandeirantes.

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Em 1987, na Rádio Gazeta, vivi momentos tensos com o saudoso Pedro Luiz que não digeria muito bem a mudança no rádio esportivo. Mesmo assim, aprendi muito com o grande mestre.

Nos anos 90, passei pouco tempo com o falecido Luciano do Valle, mas o suficiente para perceber que depois de se tornar o maior narrador da tevê brasileira ele tinha se perdido no meio de tantos casamentos e de projetos que não deram certo.

Mesmo não concordando com alguns momentos desses quatro grandes profissionais, eu me sinto um privilegiado por ter trabalhado com eles.