Cena inusitada? Chega, não aguento mais.

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Eu sei que a linguagem nas transmissões esportivas precisa ser sempre renovada, mas me incomoda ouvir todo mundo usando os mesmos termos. Teve dia em que eu vi cinco partidas das eliminatórias e, nas cinco, os narradores falaram marcação alta e leitura do jogo.

Num único jogo o comentarista disse várias vezes proposta de jogo, que só perdeu para time alternativo quando o repórter entrou pela terceira vez para repetir que o técnico tinha poupado alguns jogadores.

Não tenho nada contra a criação de novos termos, até porque a gente estaria até hoje ouvindo goalkeeper, off-side, corner, mas é irritante como todos se repetem. Um narrador podia dizer time misto e o outro time reserva. Não, todo mundo fala time alternativo.

Na última terça-feira, num jogo das eliminatórias europeias, eu ouvi o comentarista dizer que os defensores eram muito altos e estavam sofrendo marcação alta, que nada mais é do que a marcação sob pressão, termo feio, antigo, mas bem menos esnobe.

Também me incomoda na imprensa a repetição da palavra inusitado: Bruna Marquezine usou biquíni inusitado, Janot tomou decisão inusitada, Neymar deu um drible inusitado. Isso começou na internet e virou febre. Tanto que no jogo Brasil e Colômbia um repórter disse: “Cena inusitada: cachorro em campo”.

Minha contribuição: incomum, invulgar, inédito, estranho, esquisito, imprevisível, raro, anormal e aí por diante.

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