Socorro! Acudam! Acendam a luz

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Uma vez por ano, quando vou visitar o meu neto na Suíça, fico sempre desanimado quando penso que tenho de voltar.

Naquele canto do mundo civilizado as crianças estudam, as leis são obedecidas e a Justiça funciona. Notei que as pessoas são educadas, reservadas e não falam alto. No avião, eu sempre me pergunto qual o motivo de o brasileiro mostrar que é brasileiro. Tem orgulho de quê?

No cantão de Vaud, onde meu filho mora entre Genebra e Lausane, os suíços trabalham bastante e têm poucos feriados. Diferente daqui, onde a presidente do Supremo transferiu o Dia do Servidor Público de sábado, quando não há expediente, para sexta-feira.

Na Suíça de 26 cantões independentes cada governo resolve os seus problemas. O Brasil também tem 26 Estados. Cada um rouba do seu jeito. A única coisa em comum: os políticos brasileiros depositam as suas fortunas nos bancos suíços.

Na última vez que voltei do paraíso, ao chegar em Guarulhos fiquei sabendo  que o meu outro filho tinha sido assaltado. Ao chegar na delegacia para avisar que levaram o carro, ele não conseguiu o boletim de ocorrência porque os computadores estavam inativos.

Não adianta. Parece que o Brasil do futuro não tem mais futuro. Eu estou quase desistindo desse nosso país onde o presidente, o ex e os políticos são corruptos, os juízes vendem sentenças e o Congresso só legisla em causa própria.

Eita país de merda!

A França pode sim ganhar a Copa da Rússia

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Os alemães são os favoritos, os espanhóis continuam com time forte e o Brasil volta a ter chance mais por conta do técnico Tite. Mas nenhum desses países revelou tanta gente como a seleção francesa.

O time do técnico Didier Deschamps tem dois figurões, Griezmann e Pogba, mas que ninguém despreze os outros craques, principalmente os jovens e perigosos Dembelé e Mbappé (foto).

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Para se ter uma ideia, na Copa de 2006 jogaram o Fenômeno, Cafu, Roberto Carlos, Adriano, Ronaldinho, Kaká e nós fomos eliminados nas quartas de final pela França de Thierry Henry e Zidane.

O leitor pode me rebater alegando que hoje temos Daniel Alves, Marcelo, Coutinho, Jesus e Neymar. Eu insisto: de todos esses craques só o Neymar está no mesmo nível da constelação de 2006.

Nas Eliminatórias de 77 o Brasil jogava com Leão, Luís Pereira, Cerezo, Falcão, Zico e Rivellino. O time era fortíssimo, mas empatou com a Colômbia e o técnico Brandão foi demitido no avião.

Eu estava no El Campin naquele dia e vi que a reunião de famosos nem sempre garante a vitória. Com quase esses mesmos jogadores, Cláudio Coutinho voltou invicto da Argentina, mas sem a Copa.

Em 82 e 86, Telê Santana reuniu uma porção de craques e não conquistou nada. Enquanto isso, em 94, o Brasil foi campeão do mundo com Dunga como volante.

Vai entender.

Lembranças que o tempo não apaga.

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Ju-Joaquim CruzLembro como se fosse hoje dessa imagem do Joaquim Cruz se aquecendo atrás da pista de atletismo do Ibirapuera. Isso aconteceu em 1986, dois anos depois de o campeão ter conquistado a medalha olímpica dos 800 metros. Ele era o grande herói do esporte brasileiro.

Na época eu fazia a assessoria de imprensa do Meeting Internacional de São Paulo que, quatro anos depois, se tornou o nosso Grand Prix de Atletismo, prova oficial da IAAF. Nossa equipe era numerosa e tinha vários especialistas em atletismo, entre eles, o jornalista Benê Turco.

Para esse serviço eu fui contratado pelo empresário e apaixonado por atletismo Victor Malzoni Júnior. Ele me pediu um cuidado todo especial com o Joaquim Cruz, que certamente seria muito assediado pela imprensa. Eu não deixei o campeão nem um minuto sozinho.

Naquele dia, o Joaquim pediu licença para os repórteres e foi se aquecer num gramado atrás da arquibancada. Eu estava meio longe, mas deu para ver que o campeão olhava para um menino meio atrevido que imitava os seus movimentos.

Olhei com mais atenção e vi que se tratava do meu filho Julian. Na época ele tinha 8 anos e, de vez em quando, me acompanhava nas coberturas dos eventos. Mesmo distante, peguei minha máquina fotográfica (não tínhamos celulares) e registrei esse momento, que nunca mais saiu da minha cabeça.

Vocês lembram do assistente do Mito?

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O inglês Michael Beale, aquele que pediu demissão antes de o Rogério Ceni ser demitido no São Paulo, foi quem descobriu e lapidou Rhian Brewster, o atacante da Inglaterra que marcou os três gols na eliminação dos brasileiros no Mundial Sub-17.

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Nossos dirigentes não acreditam muito nos profissionais estrangeiros. Mais recentemente, se não me falha a memória, as exceções são o Corinthians com Passarella, o São Paulo com Osório e Bauza, o Palmeiras com o Gareca e agora o Flamengo com o Rueda.

Talvez por isso os times brasileiros, em franca decadência, hoje sofrem para superar os sul-americanos e, certamente, dariam vexame se enfrentassem os europeus da Champions League.

Tirando Fábio Carille e Jair Ventura, o nosso futebol está entregue a profissionais ultrapassados. Mesmo meio arrogante, o Mano Menezes parece ser o melhor deles.

O Grêmio, exaltado como o nosso futebol mais vistoso, perdeu em casa e só conseguiu a classificação para a final da Libertadores por causa do descontrole do time equatoriano no primeiro jogo. Já não temos tanta confiança na decisão contra o Lanús.

O futebol inglês é o maior exemplo de que técnicos de outros países podem dar resultado. Vem crescendo bastante com o espanhol Guardiola no City, o português Mourinho no Manchester United, o italiano Conti no Chelsea e o argentino Pochettino no Tottenham, entre tantos outros estrangeiros.

O padrinho do Roger Guedes deve ser alguém importante.

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É impossível que ninguém da comissão técnica do Palmeiras perceba que o Roger Guedes é um jogador limitado e que ele já enterrou uma porção de treinadores palmeirenses.

Mais recentemente, Eduardo Baptista e Cuca insistiram demais nele, dando a impressão que existia uma pressão por parte da diretoria com o objetivo de vender o atacante para a Europa.

Contra o Cruzeiro, o interino Alberto Valentim também resolveu colocar a sua cabeça a prêmio ao apostar no loirinho tatuado que nunca passou de uma promessa.

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Roger Guedes vem de um afastamento do elenco, castigo dado pela sua falta de empenho nos treinos. Há algum tempo, Felipe Melo o chamou de moleque por causa disso. O Pitbull já tinha discutido com ele depois de um jogo com o Peñarol.

No ano passado, Atalanta e Werner Bremen chegaram a se interessar pelo jogador na época em que o Palmeiras estava bem no Brasileiro, mas a transferência acabou não acontecendo. Agora, existe a possibilidade dele se transferir para o Santos, que daria em troca o bom lateral esquerdo Zeca.

Sorte da torcida palmeirense se esse negócio for concretizado. O time ficaria livre do Roger Guedes e também do Egídio, que voltaria para o banco de reservas.

Del Potro provoca e saca forte, Federer rebate e responde com classe

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por Jean Scatamachia, direto da Suíça.

A final do ATP 500 de Basel, que aconteceu neste domingo, não foi transmitida para o Brasil. O pouco caso das emissoras de TV com o maior ganhador de títulos de Grand Slam da história fez com que o público não pudesse acompanhar um momento curioso e até engraçado durante a premiação.

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Juan Martin Del Potro, visivelmente abalado pela derrota, pegou o microfone e “elogiou” o campeão com o habitual espírito de Libertadores dos nossos hermanos: “Parabéns pelo título. Você está impecável neste ano. Gostaria de chegar na sua idade em forma como você”.

Federer riu junto com todo o público, pegou o microfone e respondeu: “Obrigado a todos pela presença, obrigado à minha equipe e um obrigado especial à equipe do Del Potro. Não deve ser fácil aguentar ele e vocês certamente estão fazendo um belo trabalho para ele ter chegado até aqui”.

Del Potro também riu, todos vibraram e Federer voltou a falar na língua local para os mais de 10.000 presentes.

Além da vitória de virada e do oitavo título em casa, o suíço de 36 anos mostrou mais uma vez o seu carisma. Antes de sair, fez questão de cumprimentar um por um, até as mais de 50 crianças que trabalharam repondo as bolinhas durante o torneio.

Rogério Ceni teria um infarto.

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Eu tenho um pouco de medo do árbitro de vídeo. Defendo a sua utilização, acho que o futebol precisa de mudanças, como aconteceu com as bolas atrasadas para os goleiros, mas o problema é como essa novidade será usada no Brasil.

Na Rússia tudo bem, porque na Copa os jogadores se comportam melhor e os árbitros são mais qualificados. Mas no Brasil e em toda a América do Sul, especialmente na Libertadores, os jogadores reclamam demais em qualquer lance que possa gerar alguma dúvida.

Aqui, os inconformados receberão um número absurdo de cartões amarelos e vermelhos.

Acho que as interrupções vão acabar com o dinamismo do futebol. Se a própria FIFA anunciou que o ideal é um mínimo de 60% de bola rolando, imaginem quanto tempo teremos com o árbitro de vídeo.

Não sei se a magia do futebol poderá ser prejudicada sem as polêmicas, mas a confiabilidade será maior. No jogo entre Botafogo e Corinthians, o pênalti no Jô seria dado com o árbitro de vídeo e, certamente, o Corinthians voltaria do Rio com um empate.

E eu acabei pensando no jogo São Paulo e Flamengo. Imaginem se o técnico são-paulino ainda fosse o Rogério Ceni e o Pratto (foto), sabendo que a nova tecnologia estava sendo usada, dissesse que tinha usado o seu braço na hora do gol.

O Mito sofreria um infarto.

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Quem quer levante a mão.

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Claro que o investimento ou presente seria da Crefisa, diferente de quando um político faz farra com o dinheiro do povo. Mas eu pergunto: quando se trata de contratar um jogador famoso não seria melhor fazer um plebiscito com os torcedores?

No ano passado, Lucas Lima irritou demais os palmeirenses nas redes sociais e, depois da recente vitória do Santos sobre o Palmeiras, o jogador não fez nenhuma provocação. Esse seria o primeiro indício de que ele pretende vestir a camisa verde.

O jogador é craque, mas o seu mau humor não combina muito com o torcedor palmeirense meio mal humorado por natureza e que parece gostar mais de jogadores como o Felipe Melo, que fala demais, diz besteiras, faz tudo errado, mas é alegre – e aqui pra nós – joga mais do que Thiago Santos, Bruno Henrique e Tchê Tchê juntos.

Quando a seleção brasileira passou pelo Allianz Parque no jogo contra o Chile, o diretor Alexandre Mattos conversou bastante com o pai do Neymar, que é o responsável pela carreira do Lucas Lima. Outro indício de que o jogador está perto do Palmeiras.

No caso do Borja, que custou R$ 33 milhões, a torcida nem sabia que o colombiano existia. Já com o Lucas Lima é diferente. Os torcedores palmeirenses estão cansados de vê-lo – e de odiá-lo.

Quem acha que o Lucas Lima deve ser contratado levante a mão.

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Quem quer dinheiro?

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A frase famosa do Sílvio Santos se aplica bem aos nossos técnicos de futebol.

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Vocês já notaram que ao serem demitidos (foram mais de 20 no Brasileiro) eles nunca dão entrevistas reclamando? É que esses trabalhadores bem pagos recebem fortunas quando perdem os seus empregos.

Não foi o caso do Cuca. Foi ele quem pediu demissão no Palmeiras. Devia estar com vergonha de ganhar R$ 525 mil por mês. O R$ 1 milhão e meio de luvas, em maio, fica no lugar da multa que ele acabou não recebendo.

Quando o Rogério Ceni deixou o São Paulo, muita gente se surpreendeu com a notícia de que ele iria receber um dinheirão pelo rompimento do seu contrato. A multa foi de R$ 5 milhões e o Mito não deu entrevista até hoje.

Se alguém pensa que o Zé Ricardo ficou chateado ao ser demitido do Flamengo é bom saber que ele ganhava perto de R$ 100 mil e foi para o Vasco recebendo mais do que o dobro.

Para se ter ideia de como esse mercado anda inflacionado, Abel Braga e Mano Menezes têm salários de R$ 500 mil no Fluminense e no Cruzeiro. Um belo apartamento a cada dois meses.

Imaginem quanto o Mano vai receber se for para o Palmeiras ou se renovar o seu contrato com o Cruzeiro.

O Tite? Ganha R$ 875 mil por mês. A multa? Meu Deus.

O Cuca ficou lelé da cuca.

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Antes e depois do jogo de Goiânia, onde o Palmeiras venceu com certa facilidade, alguns jogadores elogiaram o ex-técnico Cuca. Mas nenhum teve a coragem de declarar que – como dizem os boleiros – ele perdeu o vestiário.

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Mesmo sendo vitorioso e experiente, eu acho que neste seu retorno o Cuca sentiu demais a pressão da Crefisa, que investiu R$ 150 milhões e não ganhou nada. A cuca estava fervendo tanto que ele colocou o Borja em dois jogos, aos 40 minutos do 2º tempo, para que o colombiano marcasse os seus gols.

Agora que o Corinthians perdeu em Salvador, o erro do treinador no início do seu trabalho ficou mais evidente. Ele tinha um elenco numeroso para mesclar titulares e reservas, mas poupou muita gente por causa da Libertadores e da Copa do Brasil, perdendo pontos que estão fazendo falta no Brasileiro.

Também faltou apoio por parte do presidente Maurício Galiotte, que não soube administrar as crises, até porque ele nunca estava no Brasil quando elas aconteceram. Mesmo discutindo muito, no ano passado o técnico se dava melhor com o ex-presidente Paulo Nobre.

Cuca afastou o Pitbull por uma questão de liderança e, depois do parecer do jurídico, errou de novo ao reintegrar o jogador com a desculpa de que o volante só poderia atuar como zagueiro.

Contra o Bahia, já meio lelé da cuca, ele atendeu ao pedido da torcida e colocou o Felipe Melo em campo. Como volante.