Daniel Alves, Fagner ou Danilo? Sou mais o lateral do City
Na lista de convocados para os amistosos do final do mês, acho que o técnico Tite errou ao não convocar o lateral Danilo, do Manchester City. Explico: se o Daniel Alves jogar mal contra os russos (o que vem acontecendo no PSG), quatro dias depois o nosso treinador não terá outra opção a não ser escalar o Fagner contra os alemães.

O corintiano não é ruim, mas não pode ser comparado ao Danilo, mesmo que o lateral do City não seja titular absoluto no time do Pep Guardiola (isso acontece também com o Gabriel Jesus no próprio City e com o Paulinho no Barcelona).
No caso do Danilo, quando escalado ele enfrenta adversários poderosos no campeonato inglês e na Champions League, enquanto o Fagner continua atuando no pobre futebol paulista.
Mas esse problema da lateral-direita pode ser resolvido a qualquer momento. O que preocupa mesmo na Seleção é o meio de campo, onde ninguém garante que Casemiro, Fernandinho e Paulinho aguentarão o tranco quando os adversários conquistarem esse pedaço de terreno com jogadores mais talentosos.
No ataque, Tite reza todos os dias para que o Neymar se recupere em tempo. Imaginem se o nosso maior craque não estiver 100% e o ataque com Willian, Gabriel Jesus e Philipe Coutinho não convencer nos dois amistosos. Aí nós não teremos tempo para descobrir os salvadores.
Socorro! Alguém precisa fazer alguma coisa
Por fazer parte da chamada geração ultrapassada, aquela que não sabe manejar direito nem o controle da televisão, eu assumi a minha ignorância no que diz respeito ao funcionamento do meu celular. Eu sei, no máximo, apagar fotos e vídeos liberando espaço para fazer mais fotos e mais vídeos.
No ano passado, quando estive na loja da Vivo para trocar de celular, o atendente disse que o meu plano tinha a velocidade 4G. Todos os dias eu fico olhando o meu iPhone e o máximo que apareceu até hoje foi 3G.
Fui ao Google pesquisar (isso eu sei fazer) e descobri que para acelerar a implantação da tecnologia 4G no Brasil, as operadoras de telefonia e concessionárias de serviços de eletricidade deveriam ter feito a parte delas antes do início da nossa Copa do Mundo. Claro que as antenas não foram instaladas.
Está no Google que um estudo realizado pela OpenSignal divulgou que o Brasil tem uma das piores redes 4G do mundo, atrás de países como Espanha, Argentina e Itália, que também não são confiáveis.

Como no Brasil não dá para acreditar em mais nada, eu estava conformado com a história de pagar pelo 4G e não ter nem o 3G, até receber essa oferta milagrosa da NET/Claro (foto). Acreditem, eles estão querendo me vender uma tal de tecnologia 4.5G.
É muita cara de pau.
Quem sabe faz ao vivo
Quando me pedem para contar uma história dos anos em que trabalhei com o Faustão, sempre lembro de quando o cantor espanhol Julio Iglesias se apresentou no Domingão, em 1999.

Um pouco antes de o cantor entrar no palco, o diretor do programa, Roberto Talma, apareceu no camarim acompanhado de um gerente da gravadora Sony. Os dois pediram para que o apresentador ficasse sempre no mesmo lugar porque as câmeras estavam posicionadas para não mostrarem o lado esquerdo do cantor.
Isso porque antes de ficar famoso, na época em que ele era goleiro do time juvenil do Real Madrid, o Julio sofreu um sério acidente de carro e sempre achou que o lado esquerdo do seu rosto tinha ficado com uma cicatriz.
Quando o diretor Talma saiu do camarim, o apresentador me olhou, piscou e eu entendi.
A primeira coisa que o Faustão fez no palco foi dizer “Julio, se você vendeu 250 milhões de discos com um lado só do rosto, imagine se mostrasse os dois”. O público do auditório vibrou com a brincadeira, para desespero do Talma e do gerente da gravadora.
No dia seguinte eu estava na sala da produção do programa, que na época ficava num porão de uma casa da Avenida Angélica, quando o telefone tocou. Era o Julio Iglesias querendo o endereço do Faustão.
Alguns dias depois eu vi a cesta de vinhos e li o bilhete de agradecimento: “Obrigado, Faustão. Você acabou com um grande trauma da minha vida”.
Que tiros foram esses?
Em outubro de 2007, a FIFA confirmou a Copa no Brasil e, dois anos depois, o COI anunciou o nosso país como sede da Olimpíada. Nem a Jojo Toddynho (foto) teria essa ideia tão brilhante de promover os dois maiores eventos esportivos do mundo aqui no nosso país sem nenhuma infra-estrutura.

E deu no que deu. Primeiro, no anúncio da Copa, o ex-presidente Lula fez muito barulho cercado pelos bandidos da CBF e por governadores corruptos que sentiram o cheiro do dinheiro em tantas obras.
Depois, o mesmo Lula (de novo?), tendo ao seu lado Cabral, Nuzmann e outros já condenados, fez mais barulho ao anunciar que a Olimpíada traria mil benefícios ao Rio, como aconteceu em Barcelona.
Na Copa, o Brasil investiu quase R$ 40 bilhões (17% pagos pela iniciativa privada), a FIFA do Blatter (afastado) lucrou R$ 8,3 bilhões e o país está até hoje esperando as obras de infra-estrutura, além da devolução dos desvios que a Lava Jato está descobrindo.
Nos Jogos Olímpicos o investimento foi o mesmo, de R$ 40 bilhões, lembrando que a Copa teve 12 estádios construídos e a Olimpíada foi realizada numa cidade só, o que nos sugere ainda mais corrupção.
Além da roubalheira e de não ter aplicado R$ 80 bilhões na educação e na segurança, esse bando não tomou conhecimento de que a Olimpíada costuma falir cidades mais bem preparadas do que o Rio. Até hoje Atenas e Montreal pagam as suas dívidas.
Copa e Olimpíada, dois tremendos tiros no pé.
A experiência do velho Pitbull
O Enrique Cáceres que apitou o jogo de estreia do Palmeiras na Libertadores é o mesmo árbitro que esteve em Montevidéu, no ano passado, na partida que terminou na batalha campal logo após o time palmeirense vencer o Peñarol.
No fim daquela partida, os jogadores uruguaios partiram para cima do Felipe Melo, que precisou usar toda a sua variedade de socos e pontapés para se defender. O paraguaio Cáceres colocou na súmula que o volante do Palmeiras foi o responsável pelo tumulto e o Pitbull foi suspenso por seis jogos.
Agora, em Barranquilla, a entrada criminosa do lateral Gutiérrez no Bruno Henrique provocou a expulsão do colombiano. Muitos achavam que o árbitro ia dar só o cartão amarelo, em função de a falta ter acontecido aos 8 minutos de jogo, mas foi aí que experiência do Felipe Melo falou mais alto.

Quando a falta aconteceu, o Pitbull se agachou com as duas mãos na cabeça, bem na frente do árbitro, demonstrando revolta e desespero. Nesse momento, sem saber se o Bruno Henrique estava ou não machucado, Cáceres não relutou e puxou o cartão vermelho.
O árbitro deve ter pensado: se o Felipe Melo, que é capaz de enfrentar um exército de uruguaios se impressionou com o lance, quem sou eu para achar que a entrada não foi violenta.
Nossa seleção tem três ou quatro craques?
Sempre bem mais racional do que eu, o meu filho Julian sempre diz que uma boa seleção precisa ter, no mínimo, três craques. Eu respeito a opinião dele, mas acho que – com exceção do time tetracampeão em 94 – ganha Copa do Mundo quem tem quatro craques de verdade.

Sei que é difícil conceituar quem é craque e eu nem vou citar aqui as seleções de 58, 62, 70 e 2002, que tiveram um nível muito alto. Dou os exemplos dos times de 82, com Falcão, Zico e Sócrates, e o de 86, com Zico, Sócrates e Careca. Seguindo o meu raciocínio, Telê não poderia mesmo ganhar essas Copas porque, nas duas vezes, ficou faltando o quarto craque.
Se na Copa da Espanha nós ficamos sem o Careca, que se machucou uma semana antes (substituído pelo Serginho Chulapa), na Copa do México o técnico Telê Santana tirou o Falcão e colocou o Alemão, outro que nunca foi craque. O pior: Casagrande, Alemão e Edson não eram craques e ainda bebiam depois dos jogos.
Para provar que estamos descendo a ladeira, nos 7 a 1 a nossa seleção jogou contra a Alemanha sem nenhum craque, lembrando que no Mineiraço não estiveram em campo o Neymar e o Thiago Silva, se é que o Chorão pode ser enquadrado nessa categoria.
Eu pergunto: a seleção do Tite tem quatro craques? Tem três? Como vamos ganhar a Copa da Rússia só com Neymar e Marcelo?
Isso está parecendo o circo romano
Não defendo as reclamações e os gestos do Neymar para os árbitros e nem perdoo aquele seu sorriso irônico depois de cada falta marcada. Esse moleque precisa entender que ninguém gosta de levar caneta, chapéu ou lambreta, por isso os marcadores chegam junto em todas as jogadas.

Os craques sempre têm reações diferentes. Isso tem a ver com a criação de cada um, com o temperamento. Quando o adversário batia muito o Rivellino tinha chiliques, o Divino Da Guia ficava triste e o Garrincha driblava ainda mais. O Neymar gosta de provocar.
Existem os que preferem os comportamentos ensaiados, como os do Rei Pelé, que sempre escondia tudo o que aprontava. O maior dos craques só não conseguiu esconder a filha não reconhecida e isso acabou com ele. Quem viu o Pelé jogar tenta tirar da cabeça essa besteira que ele fez. Quem não viu vai odiá-lo o resto da vida.
No caso do Neymar, não entendo o motivo de tanta raiva. Os torcedores, representados nas redes sociais pelos internautas, até festejaram a ausência do craque no jogo contra o Real Madrid e, com a cirurgia, quem sabe nos amistosos da Seleção e até na Copa do Mundo.
Claro que foi o Neymar quem criou essa imagem de mimado e de marrento, mas quem não gosta dele devia pelo menos respeitar este momento triste da carreira. A grande ironia é que o jogador do Olympique quase nem encostou nele no lance da contusão.
Não tem jeito. O torcedor brasileiro quer mesmo é ver sangue.
Vocês lembram do episódio Pá-Nela?
A galera do PT sempre diz que a Dilma começou a cair no momento em que as elites bateram panelas. Agora, o presidente Temer, que incentivou esse movimento, reclama da falta de apoio por parte dos petistas, dos tucanos e até dos pemedebistas, digo, emedebistas.

Essa história da retirada do P da sigla PMDB ainda não foi muito bem digerida no cenário político. Em Brasília, dizem que o Governo está pensando lá na frente e que a mudança faz MDB lembrar daquela época em que existiam no Brasil só dois partidos políticos.
Não se surpreendam se o PSL do militar reformado Jair Messias Bolsonaro mudar o seu nome para alguma coisa parecida com ARENA, o partido que no século passado era o adversário do MDB. E não se surpreendam também se o presidente Temer fizer uma aliança com o Messias. As más línguas dizem que o Exército já está nas ruas.
Como o PT perdeu fôlego e o PSDB pode implodir depois das notícias de que o tucano e ex-diretor da Dersa, Paulo Preto, movimentou R$ 113 milhões que ele tinha ou tem em quatro contas na Suíça, tudo indica que os dois partidos tenham de tirar letras das suas siglas. Os petistas estão tão perdidos que não sabem se tiram o P ou T.
Eu fui assessor de imprensa da Dersa nos anos 90, quando o Rodoanel já estava sendo construído. No momento em que eu comecei a fazer muitas perguntas, para atender aos pedidos dos jornalistas, a empresa mudou algumas letras na minha carteira profissional. Logo abaixo do ADMITIDO ela carimbou DEMITIDO.
O truque do Divino
Nos anos 80, o técnico Telê Santana (foto, ao centro) deu uma palestra para os jornalistas na Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo. Naquele dia, o presidente Mário Marinho e eu, o seu vice, recebemos na ACEESP o polonês Kaziemierz Górski.

Durante o coquetel, o técnico da Polônia na partida de 1974 em que o Brasil ficou em terceiro lugar na Copa da Alemanha, perguntou pelo “albino” e nós percebemos tratar-se do Ademir da Guia.
Górski contou que, naquele jogo, o Divino girava no sentido anti-horário e os marcadores ficavam perdidos em campo. No intervalo, Rivellino o substituiu e a Polônia ganhou por 1 a 0, gol do ponta Lato.
Eu já contei essa história aqui, mas acho que vale a pena relembrá-la. Nos anos 70, trabalhei na cobertura do Palmeiras para o Jornal da Tarde durante três anos e assisti, nos estádios, a mais de 100 jogos do Ademir. Nunca percebi isso.
A partir daquele dia com o Górski eu pensei bastante nesse truque, que explicava perfeitamente o fato dele sempre ficar com a bola, sozinho, elegante. Em vídeotapes de jogos eu pude constatar que os marcadores, cientes de que ele era destro, acabavam sendo iludidos pelo giro de 360 graus que o Divino dava para o seu lado esquerdo.
Um dia, encontrei com o Ademir no lançamento da sua candidatura a vereador de São Paulo (que tristeza) e perguntei onde ele aprendeu a usar aquele movimento.
Ele perguntou: “Eu girava no sentido anti-horário? Verdade?”
Mimado, eu?
Não adiantou nada o Casagrande chamá-lo de mimado, depois o pai do jogador sair em defesa do filho com críticas ferozes ao comentarista da Globo e o seu ex-técnico Muricy Ramalho defendê-lo ao dizer que ele é mais profissional do que todos os outros.

Contra o Strasbourg, sábado, pelo campeonato francês, Neymar foi o mesmo. Partiu com irreverência para cima dos marcadores, reclamou de faltas, fez gestos e sorriu ironicamente para o juiz e, desta vez, até encarou o bandeirinha que inverteu um arremesso lateral.
No começo do jogo deu para perceber o nervosismo do PSG, reflexo da derrota na Champions. As jogadas saiam erradas e só Di Maria e Thiago Silva se destacavam, justamente os dois que o técnico Emery não colocou em campo contra o Real. Nem o Neymar estava bem.
O gol do Strasbourg no começo trouxe ainda mais nervosismo, mas aos poucos o PSG foi se impondo no Parque dos Príncipes. Na vitória de 5 a 2, Neymar marcou um gol chapelando o adversário na área pequena, deu boas assistências e só sossegou quando Cavani fez o primeiro dos seus dois gols.
Não dá para saber o que vai acontecer se o PSG não se classificar na Champions. Se isso acontecer, eu acho que será o fim do técnico Emery que – dizem – está em guerra com os brasileiros.
Neymar está quieto e não se posicionou sobre isso, para não criar outra grande crise. Parece que o mimado cresceu um pouco.