Os mentirosos acertaram que o Carille ia para a Arábia
No ano passado, nesta mesma época, eu escrevi aqui que o Fábio Carille estava cuspindo no prato em que comeu. Foi quando ele saiu em defesa do Eduardo Baptista na briga do então técnico do Palmeiras com o colunista Juca Kfouri.

Isso aconteceu quando ele tomou as dores do companheiro e disse que não lia o noticiário esportivo e nem assistia programas na televisão, insinuando que as notícias eram mentirosas.
Carille tinha acabado de conquistar o seu primeiro campeonato paulista e, de uma hora para outra, resolveu generalizar a crítica, esquecendo até dos que o apoiaram na efetivação no lugar do Tite.
Agora, depois do jogo com o Sport, o técnico corintiano mal agradecido e agora milionário foi mais longe ao dizer que grande parte da imprensa esportiva é mentirosa.
Tudo bem que ele podia estar nervoso com a proposta do futebol árabe, mas no pedido de desculpas Carille foi ainda mais infeliz ao dizer que os jornalistas nunca deveriam ter procurado a sua família e que o seu pai foi ingênuo demais.
Quem foi repórter esportivo (como eu) sabe o quanto é complicado conviver com essa gente humilde no começo da carreira e que depois fica com o rei na barriga quando acumula fama e dinheiro.
Bom trabalho lá na Arábia, caro Carille.
Por que só os corintianos defendem o Fagner?
Enquanto o Fagner era reserva na seleção brasileira ninguém lhe dava muita importância, mesmo com o lateral corintiano ganhando tudo em 2017. Agora que o Brasil ficou sem o Daniel Alves, todo mundo escala o Danilo, que nem titular é no Manchester City.

Pode ser que esse descaso com o Fagner esteja acontecendo em função dele ainda estar se recuperando de um problema muscular, mas chega a ser estranho o comportamento da imprensa esportiva em relação ao jogador do Corinthians.
Nos bate-papos sobre futebol, os torcedores de outros times alegam que o Fagner é bom jogador, mas marca muito mal, o que é prontamente desmentido pelos corintianos, que também justificam a escalação dele pelo fato de o Daniel Alves nunca ter sido um grande marcador.
No último programa Bem Amigos, da SporTV, Galvão Bueno, Casagrande, Júnior, Maurício Noriega, Paulo César Vasconcellos, Arnaldo César Coelho e Bebeto escolheram a seleção atual do técnico Tite. Na lateral-direita, unanimidade, todos votaram no Danilo.
Mais esquisito ainda aconteceu na coletiva de imprensa depois que o técnico Tite apresentou a lista dos 23 convocados para a Copa da Rússia. Houve um momento em que o nosso treinador admitiu usar Marquinhos na direita, sinal que nem ele acredita cem por cento nos seus dois laterais.
Tite ganhou prestígio e dinheiro, mas envelheceu demais
Quando o técnico da nossa seleção começou a divulgar a lista dos convocados para a Copa da Rússia as suas olheiras chamaram mais a atenção do que os nomes dos jogadores. Certamente elas foram causadas por noites muito mal dormidas.

Com a ausência do Daniel Alves, nos últimos dias o que mais tirou o sono do Tite foi escolher os convocados para a lateral direita, já que o Fagner está se recuperando de contusão e o Danilo jogou poucas vezes como titular no City.
Se nenhum dos dois der conta do recado, não está descartada a possibilidade de o Marquinhos jogar na lateral direita.
Tite deu a entender que gostaria de ter a experiência do Thiago Silva e deixou escapar uma dúvida entre Fernandinho e Paulinho. Depois deu para perceber que ele acha o jogador do City mais moderno. Eu também acho.
No fim da coletiva, pelo que o nosso técnico disse e deixou de dizer, hoje a seleção jogaria com Alisson, Danilo, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho e Philippe Coutinho; Willian, Gabriel Jesus e Neymar.
A dúvida agora é saber se o Neymar ganhará ritmo de jogo até a Copa. Se isso não acontecer – ou se ele sentir a contusão – Philippe Coutinho será o substituto e só Deus sabe quem entrará no time.
Tenho medo que o Tite se arrependa de não ter levado o Artur e se lembre do “parça” Renato Augusto.
Acreditem: o Brasil ainda encanta os estrangeiros
Quem volta ao Brasil depois de passar um mês na cidade suíça de Rolle (foto) se assusta ao conviver com os absurdos que continuam acontecendo no nosso país.

Não que eu tenha ficado alheio às notícias, até porque lá a internet é muito melhor do que aqui, mas é diferente acompanhar de perto notícias como essa da juíza autorizar uma esteira ergométrica para o Lula em sua a cela especial, onde só falta um frigobar.
Ao chegar, eu senti dó do brasileiro. Essa história de os sem-teto pagarem aluguel em espaços invadidos por líderes de movimentos é tão ou mais absurda do que o prédio desabar numa zona central de São Paulo.
São inevitáveis as comparações. Na Suíça, o povo também paga imposto, mas recebe em troca serviços públicos de qualidade. A vida lá é cara, mas os salários são altos e a educação continua sendo a base de tudo.
A diferença maior: violência zero.
O que também me chocou foi constatar que os europeus, especialmente os portugueses que se multiplicam nos cantões suíços, têm vontade de conhecer o Brasil. Mesmo cientes de que as coisas não andam bem por aqui e que a violência impera nas grandes cidades, os seus olhos brilham quando o assunto é o nosso país.
Num certo dia, o garçom começou a contar o seu plano de vir ao Brasil e eu pensei comigo: esse sujeito vai entrar é no corredor da morte.
Cão que ladra não morde.
Mesmo perdendo o título paulista em casa e estando há três jogos sem vencer, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, vem recebendo elogios por parte de metade dos conselheiros por causa das suas posições contra a FPF e as brigas com a TV Globo.

A outra metade dos conselheiros sabe que essas ameaças não passam de encenação em função das eleições no final do ano.
É evidente que essa transformação para dirigente briguento têm caráter eleitoral, até porque o Galiotte sabe que não tem razão no caso da TV Globo, já que a oferta da emissora foi menor em função de o clube já ter vendido uma parte dos seus jogos para o Esporte Interativo.
As suas atitudes e alianças sempre foram comprometedoras. Depois de trair o ex-presidente Paulo Nobre, que o elegeu, no começo do mandato, por uma questão de patrocínio milionário, ele foi conivente com a Leila Pereira, que usou um atestado falso para se eleger conselheira do clube.
No ano passado, logo após a famosa batalha campal no jogo contra o Peñarol, em Montevidéu, Galiotte espernou com a Conmebol ao sofrer punições pelas brigas da Mancha Verde, mas recuou e fez concessões quando o lembraram que ele foi o responsável pela reaproximação com a organizada afastada pelo ex-presidente Paulo Nobre.
Resumindo, o antes apaziguador e hoje briguento presidente do Palmeiras precisa urgentemente de vitórias. Se isso não acontecer, esses mesmos conselheiros que o apoiam vão dizer que o leão é manso.
A magia de Charles Chaplin
Se um dia você passar pela Suíça não perca a oportunidade de conhecer a cidade de Vevey, um paraíso que fica entre Lausanne e Montreux, na região do Lago de Genebra, também conhecido como Lago Léman.
Todos os anos eu venho até esta região para rever filho, nora e neto, que moram numa cidadezinha chamada Mont-sur-Rolle rodeada de vinhedos e que fica a 40 km de Vevey.
O morador mais ilustre de Vevey foi Charles Chaplin. Ele viveu seus últimos 25 anos onde hoje funciona um museu maravilhoso que relembra os grandes momentos da carreira inesquecível do nosso Carlitos.
Ao lado do museu, os turistas podem visitar as dependências da mansão onde o gênio viveu, desde o seu modesto quarto até a sala de jantar com a mesa com 10 lugares para ele, a mulher e seus oito filhos. No imenso jardim eu sentei no banco onde – dizem – Chaplin passava horas admirando os alpes suíços.

Na praça principal de Vevey existe uma estátua do Chaplin em tamanho natural (foto). Ela foi colocada à beira do Lago Léman, perto de outra marca importante da cidade, a sede mundial da Nestlé, empresa suíça com mais de 150 anos que se especializou em alimentos infantis e, mais tarde, investiu pesado no chocolate à base de leite.
A Suíça tem centenas de cidades que merecem ser visitadas, mas Vevey é especial. Ela respira Chaplin.
Não dá para aguentar essa história de transmissão pela tevê
Eu não diria que vitória do Brasil lavou a nossa alma, até porque o placar foi 1 a 0 e – aqui para nós – eu nunca vi uma seleção alemã tão fraca. Mas isso até que não me incomodou tanto.
O que eu achei um absurdo foi a TV Globo, a maior emissora do chamado “país do futebol”, transmitir um jogão desse pela televisão e não do Estádio Olímpico de Berlim.

Essa história de off-tube começou nos anos 70, na época de Copa do Mundo, quando as emissoras não tinham dinheiro e equipes para tantas viagens e acabavam pagando uma taxa para transmitir de um estúdio os jogos menos importantes.
Aos poucos, por economia, esse recurso começou a ser mais usado e hoje os figurões da narração esportiva se sujeitam a isso.
Nessa partida contra a seleção alemã, Galvão Bueno, Casagrande, Júnior e Arnaldo Cezar Coelho transmitiram pela tevê, ao invés de estarem no estádio, onde teriam visto o juiz e o bandeirinha correrem para o centro de campo no gol do menino Jesus.
Diante da imagem do nosso atacante reclamando alguma coisa, o Galvão levou uma eternidade para perceber que o gol tinha sido validado. O problema é que isso eu também vi – e até antes dele.
Espero que na Copa da Rússia, onde os jogos serão sempre distantes, a TV Globo não invente de transmitir a seleção brasileira pela televisão. Só faltava essa.
Não é complexo de vira-lata. É vergonha mesmo
Nesta terça-feira, em mais uma data FIFA, nós teremos novamente vários jogos entre seleções e você notará o silêncio respeitoso do público no momento dos hinos nacionais.
Situação bem diferente do que acontece no Brasil e do que vimos na sexta-feira, em Moscou. Mesmo diante da postura exemplar dos nossos jogadores (foto), os poucos torcedores presentes mostraram o quanto o brasileiro é mal educado. Eles não pararam de fazer barulho nem durante o hino russo.

Os maiores culpados disso tudo são os nossos governantes, que não educaram o povo e que vivem banalizando o nosso hino. Há dois anos, a senadora gaúcha Ana Amélia fez o favor de ser a autora de uma lei que obriga a execução do hino nacional antes de todas as competições esportivas no país.
Para piorar, nos jogos de futebol no Brasil o hino é sempre executado inteiro, com as duas partes completas que duram entre três a quatro minutos. Os jogadores conversam, as crianças bocejam e os torcedores cantam tudo menos o hino nacional.
Pior do que esse desrespeito só mesmo o barulho infernal que os brasileiros fazem na hora do minuto de silêncio. Isso é culpa do povo mal educado e também dos dirigentes e organizadores, que nunca informam pelo alto-falante ou pelo telão quem é a pessoa desrespeitada que morreu.
A eterna discussão: ex-jogador pode ser comentarista?
Desde os meus tempos como presidente da Associação dos Cronistas Esportivos, na metade dos anos 90, eu defendia a tese de que o ex-jogador poderia ser comentarista, mas sempre como um convidado e nunca tomando o lugar do jornalista.
Na época eu já criticava apresentadores como o barulhento Neto ou o Roger Flores que se traveste de jornalista para roubar o comando do cronista esportivo. Mais recentemente, critiquei o argentino Sorin comandando um programa na ESPN com a empáfia de quem disse – para os brasileiros – que o Maradona foi melhor do que o Pelé.
No ano passado, na FOX (foto), Edmundo brigou ao vivo com o comentarista Paulo Vinícius Coelho alegando que só o PVC falava e que, por isso, ele estava se considerando um intruso. Faltou alguém dizer naquele momento, usando o português correto que o Animal não tem, que ele estava ali realmente como um ex-jogador de futebol.

Nas transmissões da tevê aberta a Globo continua errando ao colocar só ex-jogadores nos comentários, sem nunca investir nos cronistas esportivos. E também erra quando contrata o Ronaldo para as transmissões de jogos da Seleção.
Além da sua dicção ruim e da falta de conteúdo nos comentários, como é que o Fenômeno vai criticar o Gabriel Jesus se o Jesus é cliente dele?
Salve-se quem puder
Para controlar a pressão alta, minha mulher Luisa usava um comprimido chamado Atensina. Há alguns dias, ela não encontrou mais esse medicamento nas farmácias e nem os serviços de delivery farmacêutico souberam explicar o motivo do sumiço do remédio.
A preocupação aumentou quando o seu médico disse não saber o que estava acontecendo, numa demonstração clara de que a desinformação se tornou total neste nosso país de terceiro mundo.
Talvez o laboratório e as farmácias não tenham dado tanta importância ao problema em função de a caixinha de Atensina, com 30 comprimidos, custar apenas R$ 7,00. Não duvido.
Mesmo que o médico tenha receitado outro remédio eu fui pesquisar no Google e me surpreendi com o tamanho da fabricante, a Boehringer Ingelheim, um dos maiores laboratórios da Alemanha.
O site da gigante no setor farmacêutico me ofereceu vários telefones de contato, mas eu não cheguei a lugar nenhum depois de apertar dezenas de teclas do meu celular. Desanimado, preenchi um espaço no site da multinacional que prometia a resposta em 48 horas.
A resposta não veio.
No fim acabei descobrindo, meio sem querer, no blog de um farmacêutico, que a Boehringer informou no final de fevereiro sobre a descontinuidade temporária da Atensina.
Sai Venezuela!
