O trenzinho inglês

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A seleção da Inglaterra foi eliminada da Copa, mas nos deixou uma ideia interessante. Nos escanteios, seus jogadores formam uma fila indiana (foto), para fugir dos malditos empurrões e agarrões.

Trenzinho

Quando o escanteio é batido, os integrantes do trenzinho se distribuem pela área tentando o cabeceio. Tenho certeza que esse expediente será usado já na segunda parte do campeonato brasileiro.

Isso me fez lembrar 1977, quando eu era repórter do Jornal da Tarde e a nossa seleção estava em Bogotá se adaptando à altitude antes de um jogo pelas Eliminatórias da Copa da Argentina.

O técnico Brandão andava triste com a doença do filho e eu, para distraí-lo, uma noite sugeri um atleta de arremesso de peso na cobrança dos laterais. Com toda a sua precisão (continuei a brincadeira), esse atleta colocaria a bola na forquilha.

Brandão deu ainda mais risada quando eu disse que, sem o impedimento na cobrança do lateral, um enorme jogador de basquete ficaria encostado na trave para marcar o gol de cabeça.

No dia seguinte, o técnico ensaiou uma jogada: Luís Pereira recuava de calcanhar para o Leão, que acionava o Rivelino no meio de campo. Três especialistas: um zagueiro muito técnico, um goleiro que repunha bem com as mãos e o craque matando a bola no peito.

No dia do jogo, Luís Pereira fez o recuo de calcanhar, mas a bola explodiu na trave brasileira. O susto deixou o time nervoso e, com o 0 a 0, Brandão acabou sendo demitido.

Bella ciao, ciao, ciao

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Passada a ressaca pela eliminação do Brasil eu lembrei da música símbolo da resistência italiana na Segunda Guerra Mundial, revivida no seriado espanhol La Casa de Papel, e que gerou tantas gozações quando alemães, espanhóis e argentinos voltaram para casa.

Agora, depois da derrota para a Bélgica, os brasileiros viraram o alvo dessa canção entoada pelos partigiani e estão sendo obrigados a encarar a realidade: a bela taça da Copa ficou mesmo para 2022.

Fifa

Depois que o colunista Tostão declarou não entender nada de futebol, referindo-se à eliminação da Espanha, eu fiquei mais animado em escrever aqui neste espaço. Afinal, trata-se da palavra de quem foi craque. Agora que o Tostão confessou ter se iludido com o time do Tite eu me sinto ainda mais à vontade para dar a minha opinião.

A nossa seleção não é nada do que a gente imaginava e corria o risco de levar uma tremenda sapatada da França. O raciocínio é o mesmo de 2014: se o Brasil tivesse perdido nos pênaltis para o Chile não teria sofrido os 7 a 1 para a Alemanha.

O Tite é bom, deve continuar no cargo, mas não pode ser endeusado. Nosso treinador errou feio. Caiu na armadilha do técnico belga e foi ingênuo ao demorar uma eternidade para perceber que o craque De Bruyne estava jogando quase sem marcação.

Seria a mesma coisa de o Neymar ficar o jogo inteiro no mano-a-mano com apenas um marcador.

O desequilibrado técnico do México

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Juan Carlos Osório (foto) mostrou que não sabe perder. Depois do jogo, o colombiano reclamou bastante do Neymar e disse que foi uma palhaçada a arbitragem ter favorecido o Brasil.

Osorio

No meio do seu destempero, o treinador da seleção mexicana foi desrespeitoso com uma repórter brasileira quando ela falou do pisão dado pelo mexicano Layun. Ele ignorou a jornalista, criando um ambiente ruim na coletiva de imprensa.

O técnico disse que a encenação do Neymar foi um péssimo exemplo para as crianças, quando na verdade o péssimo exemplo quem deu foi o seu jogador, que pisou de propósito no pé operado do brasileiro quando o jogo estava parado.

É claro que o Neymar faz teatro e valorizou o pisão para provocar a expulsão do mexicano. O Osório, experiente, sabe que isso é normal no futebol. Eu gostaria de saber o que o Chicharito faria se fosse pisado pelo Thiago Silva fora de campo?

O treinador do México também reclamou de o jogo ficar parado durante quatro minutos. Foram exatamente dois minutos, lembrando que depois o árbitro italiano deu 6 minutos de acréscimo.

A verdade é que o 1 a 0 em cima da Alemanha fez com que o técnico Osório sonhasse com uma vitória sobre o Brasil, o que nunca poderia ter acontecido se a gente lembrar que o goleiro Alisson fez uma única defesa durante todo o jogo.

Já imaginaram o Neymar deixando o Tite sozinho?

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A atitude do Messi abandonando o técnico Sampaoli na entrevista coletiva (foto) demonstra bem como anda complicado o ambiente na seleção argentina.

Messi

Os dois se abraçaram depois da vitória sobre a Nigéria, mas a atitude do jogador deixou o técnico embaraçado diante dos repórteres do mundo inteiro que queriam perguntar, entre outras coisas, sobre a entrada do Aguero no fim do jogo.

Os jornalistas argentinos fizeram a tal leitura labial numa imagem da transmissão pela tevê e juram que o técnico perguntou “Coloco o Kun?” e que o Messi acenou positivamente com a cabeça.

Sampaoli foi um dos que convenceu o craque a voltar atrás na sua decisão de não jogar mais pela Argentina. Nos últimos dias, os dois trocaram mil elogios, mas há quem diga que o Messi acabou sendo um dos líderes do grupo que escalou a seleção à revelia do técnico.

Se no sábado a Argentina jogar o que jogou até agora levará uma sapatada do time francês, que vem forte com Griezmann, Mbappé, Pogba, Giroud, Dembelé, Kanté, Varane, Umtiti e outros jogadores bem melhores do que os argentinos.

Todo mundo sabe que a raça dos hermanos já fez grandes milagres, mas o futebol apresentado contra a Nigéria foi pobre demais. Isso me fez lembrar a Copa de 2014: se o Brasil tivesse perdido nos pênaltis para o Chile não teria passado pelo vexame dos 7 a 1.

A lambreta do mimado, trapaceiro e resmungão

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Eu sei que outros gols na Copa e – quem sabe – o título mundial farão o torcedor brasileiro e grande parte da imprensa esquecerem os defeitos do Neymar.

Hoje, os internautas não o perdoam e essa relação de mais ódio do que amor até passa dos limites. São poucos os que têm coragem de defendê-lo tal o número de críticas que o craque recebe.

Contra a Suíça, a imprensa internacional não se importou com o tempo parado por causa da cirurgia e, depois da encenação no pênalti, os jornais ingleses o chamaram de mimado, trapaceiro e resmungão.

Neymar

No jogo contra Costa Rica, ele teve chilique, recebeu cartão amarelo, xingou o árbitro holandês, enfim, Neymar fez o que a gente sempre pede para que ele não faça. Tudo se encaminhava para um final infeliz até a lambreta maravilhosa no costarriquenho Tejeda.

Foi uma obra de arte, o drible mais bonito da Copa. De repente, o então coadjuvante (Philippe Coutinho vinha roubando a cena) chamou para si as atenções e – é bom lembrar – ele esbanjou personalidade porque ainda não tinha marcado o seu gol.

Se errasse na lambreta (ou carretilha, como alguns dizem), Neymar seria duramente criticado. Mas o drible foi tão espetacular que ninguém pensou em desrespeito e o nosso maior craque ressurgiu das cinzas.

Até quando? Talvez até o segundo cartão amarelo.

Mais velho do que andar pra frente

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Muito se discutiu se o árbitro devia ter acionado o VAR para checar se o suíço empurrou o nosso zagueiro, mas a verdade é que todo mundo sabe que na pequena área a bola é sempre do goleiro.

Se o Alisson (foto) tivesse saído do gol ninguém teria notado o empurrão no Miranda. Foi um erro primário do goleiro brasileiro, que deve ter ouvido um sermão daqueles do mestre Taffarel.

Allison

Tudo bem que esse erro pode ter preocupado o Tite, mas eu percebi que desde o início do jogo ele estava com cara de poucos amigos. Nem no gol do Philippe Coutinho ele vibrou.

Alguma coisa estava preocupando o nosso treinador. Seria o nervosismo pelo jogo de estreia na Copa? Ou o cabelo calopsita do Neymar? A verdade é que o Tite parecia perturbado com alguma coisa e isso pode ter influenciado na hora das substituições.

Colocar o Fernandinho no lugar do Casemiro pendurado com um cartão amarelo eu entendo, mas trocar o Paulinho pelo Renato Augusto me pareceu absurdo.

Paulinho não é um jogador talentoso, mas tem muita vitalidade, enquanto Renato Augusto vem de contusão, quase foi cortado e nunca levaria o time do Brasil para uma virada.

Essa história dos “parças” sempre me preocupou.

Dez minutos tenebrosos do nosso jornalismo esportivo

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Neste domingo, SporTV e Premiere dividiram a tela: de um lado, os minutos finais da partida Santos e Internacional e, do outro, a chegada da seleção brasileira em Sochi, na Rússia.

SporTV

Os telespectadores foram desrespeitados porque a torcida do Santos sofria torcendo pelo gol de empate e a do Internacional, nervosa, esperava o fim do jogo. E ninguém conseguia ver direito os lances na metade da tela.

Mesmo os que não torcem por esses times poderiam estar querendo ver o jogo e não o avião taxiando, jogadores descendo, as entrevistas chatas com Gabriel Jesus e Miranda, delegação tirando foto oficial e todos entrando num ônibus na pista do aeroporto.

O próprio narrador, o excelente Jota Júnior, ficou constrangido e chegou a dizer “Aqui, falta para o Santos” (foto), mas a reportagem continuou como se a chegada da seleção na Rússia fosse a coisa mais importante do mundo.

Se tivessem gravado e colocado tudo no programa esportivo que veio a seguir ninguém ia reclamar de o repórter não estar ao vivo, até porque – repito – não estava acontecendo nada de extraordinário. Ou então que colocassem o registro ao vivo em outra SporTV.

A única explicação é o desespero da emissora em promover a Copa que custou uma fortuna e que não está empolgando os brasileiros. Se isso acontece por falta de dinheiro ou por causa do desemprego eu não sei, a verdade é que não estamos vendo as ruas pintadas de verde amarelo.

Apressado come cru

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Muita gente diz que o Corinthians é sempre beneficiado pelas arbitragens. Isso não aconteceu contra o Flamengo, ao contrário, o time corintiano deixou de empatar o jogo no último lance por causa de uma decisão desastrada e infeliz do árbitro Anderson Daronco.

Aos 50 minutos, depois de um bate-rebate na área do Flamengo, o árbitro gaúcho apitou o final do jogo e deu azar porque antes de sair da área a bola bateu num corintiano e sobrou para o Roger, na cara do gol (foto).

Juiz

Ninguém sabe se o atacante chutaria para fora (hipótese improvável) ou se o goleiro Diego Alves defenderia (talvez), mas interromper o jogo naquele momento foi uma atitude precipitada. No mínimo, o Daronco deveria ter esperado o desfecho da jogada.

Um erro imperdoável como aquele que aconteceu na Copa de 78, na Argentina, na estreia do Brasil contra a Suécia. O jogo estava 1 a 1 e, nos descontos, Zico marcou de cabeça aproveitando um escanteio cobrado pelo lateral Nelinho. O árbitro Clive Thomas não confirmou o gol, alegando que a partida foi encerrada quando a bola estava no ar.

O árbitro galês não apitou mais nenhum jogo da Copa.

Não defendo nenhum tipo de punição ao Daronco, até porque ele é bom árbitro e errou sem má intenção, mas que ele seja advertido para que situações como essa não se repitam. Afinal, o erro no Maracanã não prejudicou só o time do Corinthians.

Venezuelando

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As filas enormes e nervosas nos postos de gasolina são o retrato do triste momento que o povo brasileiro está vivendo depois da paralização dos caminhoneiros. Se o movimento foi ou não político – eu acho que foi – a verdade é que o governo falhou de novo.

Posto

O presidente Temer se comportou como um político antigo, daqueles que têm rabo preso. A sua conversinha de ser a favor do diálogo fez o Brasil perder um ano em uma semana. Com medidas enérgicas, os bloqueios teriam acabado antes e o povo sofreria bem menos.

Agora, o nosso dia-a-dia só voltará ao normal depois da Copa do Mundo, que mais uma vez servirá para esconder as besteiras do governo incompetente e do bando de políticos cafajestes que fingem trabalhar pelo povo.

É muito triste saber que os hospitais ficaram sem sangue, que milhões de aves morreram por falta de ração e que toneladas de alimentos se estragaram dentro dos caminhões parados nas estradas. Parece que o Brasil tem comida sobrando.

O nosso governo é péssimo, a oposição pior ainda, mas fica evidente que o povo brasileiro tem parcela de culpa em tudo o que acontece no nosso país. Aumentar os preços neste momento difícil é coisa de bandido acostumado a roubar e a saquear.

O Lula deve estar se divertindo na prisão.

Dudu na lista dos 35. Só dando risada

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Ao ler a coluna do Tostão no jornal Folha de S. Paulo eu fiquei preocupado com a nossa seleção. Com sua experiência e tradicional ironia, o craque escreveu que, às vezes, o futebol é decidido pelo acaso, por exemplo, o Taison marcando o gol do título na Rússia.

No fundo, o Tostão quis dizer que o futebol brasileiro não é tão favorito assim na Copa do Mundo, o que ficou bem claro quando ficamos sabendo que o atacante Dudu está na lista dos que poderão ser chamados caso algum convocado se machuque.

Dudu

Quem viu a derrota do Palmeiras para o Sport vai me dar razão. Não bastasse a atuação ruim do palmeirense, que no segundo tempo perdeu um gol que jogador de seleção não perde, no finzinho do jogo, aos 50 minutos, Dudu não quis bater o pênalti que levaria o Palmeiras ao empate, sendo que ele é o batedor oficial do seu time.

A inclusão do Dudu na lista dos 35 mostra a fragilidade do nosso futebol, que tem meia dúzia de bons jogadores e só.  Por incrível que pareça, Tite relacionou também o zagueiro Dedé, que voltou a jogar recentemente pelo Cruzeiro depois de ficar um ano se tratando de mil contusões. 

Eu sou do tempo em que os técnicos das nossas seleções não queriam ou não precisavam chamar jogadores como Coutinho do Santos, Roberto Dias do São Paulo, Zé Carlos do Cruzeiro e Ademir da Guia do Palmeiras.