Voto inútil não
Nesse período curto da nossa democracia eu já fiz algumas besteiras, como votar no Lula para o segundo mandato e depois no Aécio, tentando evitar a reeleição da nossa presidenta. Agora, cada vez mais sem opções, vou tentar errar um pouco menos.
O meu escolhido era o Álvaro Dias de ficha limpa e que sempre subiu na tribuna do Senado para combater a corrupção. Ouvindo as suas propostas eu percebi que o discurso do senador paranaense cheira coisa velha e, de velho, chega este que vos escreve.
Resolvi então optar pelo descompromissado João Amoêdo. Às vezes, o seu discurso é meio ingênuo, com propostas que nunca serão aprovadas no nosso Congresso viciado, mas o candidato do Partido Novo não tem rabo preso e isso me agrada.
Muita água passará por baixo da ponte, mas a tendência é dar Bolsonaro e Haddad no segundo turno. Essa disputa deve provocar a mais suja e escandalosa rede de conchavos já vista na nossa política, com o poste recebendo o apoio dos dois candidatos ex-ministros do governo petista.
Infelizmente, pode ganhar quem receber o apoio do Alckmin e da sua velharia corrupta.
No segundo turno vou usar a prerrogativa que tenho de não votar por causa da idade. Não teria a coragem de dizer aos meus filhos que eu ajudei a eleger um radical de direita ou um populista de esquerda.
Felipão pode dar a volta por cima no local dos 7 a 1
Muita gente acha o Felipão um técnico ultrapassado. Eu discordo. No meio da semana, no primeiro jogo semifinal da Copa do Brasil, ele mostrou toda a sua competência.

O Palmeiras jogou mal contra o Cruzeiro, mas ninguém pode esquecer que a partida começou com o milagre do goleiro Fábio no chute do Borja dentro da pequena área. Esse lance poderia ter mudado a história do jogo.
Escalar Lucas Lima no intervalo, no lugar do Thiago Santos, foi a primeira decisão acertada do Felipão. Ele sabia que o Cruzeiro ia recuar e, por isso, não precisava mais de tanta marcação.
Depois, o técnico palmeirense colocou Marcos Rocha no lugar do Bruno Henrique, mantendo o Mayke no time. Essa ideia me fez lembrar o Guardiola do City. Às vezes, ele escala o Fernandinho para armar jogadas pela lateral.
A bola palmeirense continuou parando na trave mineira e foi aí que o Felipão ousou ao trocar o cansado Borja pelo jovem e rápido Artur.
O gol não saiu, ou melhor, saiu, mas o prepotente árbitro Reway não deixou o jogo seguir para depois poder consultar o VAR brasileiro e o 1 a 0 para o Cruzeiro acabou não refletindo o que aconteceu em campo.
Dia 26, no Mineirão, mesmo sabendo que vai jogar contra um timaço, Felipão terá a chance de se recuperar na Copa do Brasil. Quatro dias depois, graças à incompetente CBF, Palmeiras e Cruzeiro jogarão de novo, no Pacaembu, pelo campeonato brasileiro. Muito chato isso.
Por que os petistas não vão morar na Venezuela?
Mais de dois milhões de venezuelanos atravessaram a ponte Simon Bolivar (foto) desde 2014 e foram tentar a vida na Colômbia. Apenas 100 mil entraram no Brasil e esse número tão menor explica-se pelo fato deles estarem trocando a fome pela vontade de comer.

O presidente Temer anda fazendo um tremendo barulho por causa desse contingente de venezuelanos em Roraima, enquanto o governo colombiano se desdobra para atender as duas milhões de pessoas enganadas por Hugo Chavez e Maduro.
Eu pergunto: por que Chico, Caetano, Zé Dirceu, Gleisi e tantos outros petistas não falam nada sobre o que aconteceu com o regime socialista na Venezuela?
Eu admiro o gênio da música Chico Buarque, mas abomino o cidadão Francisco Buarque de Hollanda, que continua defendendo o nosso presidiário mais ilustre.
Também fui petista nos anos 80 e participei de alguns movimentos. Desisti do partido nos anos 90, mas continuei votando no Lula, que foi bem no seu primeiro mandato.
Quando o Lula começou a dizer que não sabia de nada e que não conhecia as pessoas com que conviveu, eu desisti dele também. Era evidente a conivência com a corrupção.
Eu repito: não entendo a cara de pau dos petistas endinheirados que vão morar em Miami ou em Portugal. Não entendo o Chico passando o verão em Paris, em seu apartamento de 18 milhões de reais. Essa galera não devia estar em Cuba ou na Venezuela?
Conversa mole pra boi dormir
Com seu tom sempre professoral e de pastor evangélico, Tite continua enrolando todo mundo. Ele é bom técnico, mas o seu grande defeito é ficar tentando explicar o inexplicável.

Ele errou ao permitir que a CBF marcasse os amistosos contra americanos e salvadorenhos. A nossa seleção deveria enfrentar forças europeias. Os times dos EUA e de El Salvador são fracos perto dos sul-americanos que o próprio treinador atropelou nas Eliminatórias.
Eu sempre achei o Tite meio sem pulso e político demais. Escrevi isso no dia da sua apresentação como técnico da seleção, meses depois dele ter assinado um manifesto pedindo o afastamento do Marco Polo Del Nero da CBF.
Foi triste ver o treinador beijando o maldito presidente da entidade.
Ali ele deu um bico em todos nós e sacramentou o seu milhão de reais por mês, além de garantir o emprego de uma porção de amigos, inclusive do filho, que – como observador – o derrubou na Copa ao não informar o esquema do técnico da Bélgica.
Outra escorregada: no ano passado, depois do jogo Brasil e Colômbia que homenageou as vítimas da tragédia com a Chapecoense, Tite disse que teve vontade de propor o empate ao técnico da seleção colombiana. Essa frase tão absurda não foi explorada porque o nosso pastor sabe conduzir os seus assuntos com a maior maestria.
Imaginem o Dunga dizendo isso.
O prepotente e antipático Mano Menezes
Muita gente estranhou quando viu o Marcelo Oliveira brigando com o Mano Menezes no jogo de sábado, no Mineirão. Afinal, o técnico do Fluminense sempre respeitou os seus companheiros de profissão, o que não acontece com o comandante do Cruzeiro.
Conheci o Mano numa pizza na casa do Faustão, em 2010, no início do seu trabalho na Seleção. Naquela noite ele fez cara de simpático o tempo todo. Afinal, estavam na nossa mesa o Fenômeno, Muricy, Rivellino e Careca.
Eu confesso que peguei birra dele no ano passado, no jogo Chape e Cruzeiro, pela Copa do Brasil, quando o Mano – para ganhar tempo – atrapalhou a cobrança do arremesso lateral que ia ser cobrado pelo Reinaldo, esse mesmo Reinaldo que hoje é titular no São Paulo.
Ainda na Arena Condá, o Mano disse que fez de propósito e que faria isso de novo. Atitude deplorável desse técnico que no sábado brigou o tempo todo alegando que o Fluminense parava o jogo e depois, quando estava vencendo, não admitiu que o Marcelo Oliveira reclamasse que os gandulas seguravam a bola.
Recentemente, no programa Bem Amigos, o antipático Mano Menezes comentou que o Neymar foi o culpado pelo fracasso do Gabriel Jesus na Copa. Essa acusação nem virou debate porque o Muricy Ramalho o rebateu prontamente dizendo que isso era uma bobagem.
O Mano achava que, no assunto Neymar, ele ia ter o respaldo do Galvão Bueno.

Tite foi egoísta e desleal
O técnico da nossa seleção não é mais unanimidade. A derrota para a Bélgica e a desclassificação na Copa não tinham arranhado a sua popularidade, mas essa última lista de convocados foi um desastre.

Tite só pensou nele. Chamou quase todo o time titular e as novidades devem ficar no banco torcendo para que o Brasil esteja vencendo. Se contra EUA e El Salvador a situação estiver difícil, os novatos serão pouco testados porque o Tite não quer perder amistosos, Copa América, o cargo e os milhões que ele está ganhando.
Que se danem Flamengo, Cruzeiro, Corinthians, Grêmio e Fluminense no Brasileiro e na Copa do Brasil. A culpa também é da acéfala CBF que não prestigia nem os seus torneios. É evidente que Dedé, Paquetá, Éverton e Pedro merecem ser chamados, mas não agora.
Como esses amistosos sem importância são marcados por causa das datas FIFA, Tite poderia ter convocado só quem não foi titular na Copa e mesclar o seu time com jogadores em início de temporada no Exterior, tipo Vinícius Júnior.
Ele também foi desleal com Gabriel Jesus. Ficou a impressão de que o atacante acabou sendo o responsável pela desclassificação do Brasil. Eu entendo não chamar o velho Miranda para testar o Dedé, mas deixar o menino Jesus de fora foi uma sacanagem.
Por que então o Tite não deu um descanso para o Neymar?
E os dois continuam se estranhando
No último programa Bem Amigos, do SporTV, ficou claro que Galvão Bueno e Neymar estão longe de uma aproximação. Se na Olimpíada o narrador da Globo foi obrigado a engolir a briga por causa da medalha de ouro, agora ele nunca perde a chance de dar uma alfinetada no jogador.

No começo dos debates, Mano Menezes disse que o Neymar foi o culpado pelo futebol ruim do Gabriel Jesus porque o Brasil concentrou o seu jogo no craque do time. Isso instigou o Galvão, que acabou se contendo diante da dura contestação do Muricy Ramalho ao técnico do Cruzeiro.
Depois, Júnior levantou o assunto da demora do Tite em mudar o esquema de jogo contra a armadilha do técnico belga. Foi aí que os canhões se voltaram para o Matheus Bacchi, responsável por assistir ao jogo de cima (a FIFA autorizou informações por rádio para o banco de reservas). Todos afirmaram que o filho do Tite não tinha experiência para ser o observador naquele jogo.
Casagrande criticou a presença dos cabeleireiros na concentração e, em certo momento, Galvão Bueno não perdeu a chance de dizer que o Neymar não deveria se esconder atrás das redes sociais e de textos escritos para ele.
Foi uma resposta do narrador ao seu desafeto, que logo após a vitória sobre a Costa Rica disse na saída do campo: “Falar até papagaio fala”.
Flamengo joga cinco decisões em 15 dias
Os craques continuam surgindo no Brasil, como o menino Lincoln, do Flamengo (foto), mas não foi à toa que os países sul-americanos fracassaram na Copa da Rússia. Os calendários da CBF e da Conmebol são uma piada.

Grêmio e Flamengo acabaram de jogar pela Copa do Brasil e, neste sábado, os dois se enfrentam lá mesmo em Porto Alegre pelo Brasileiro. Lembrando que daqui a duas semanas tem outro jogo, no Maracanã, pela Copa do Brasil.
No meio desses três jogos repetidos, dia 8 o time carioca pega o Cruzeiro, pela Libertadores, sendo que três dias depois esse jogo se repete no mesmo Maracanã, pelo Brasileiro.
Neste mês de agosto, o torcedor flamenguista vai se atrapalhar não sabendo em que campeonato o seu time está jogando e, dependendo do torneio, se é ou não importante marcar gols fora de casa. Na Copa do Brasil, por exemplo, o gol no campo do adversário não é mais critério de desempate, enquanto na Libertadores quem marca fora leva uma tremenda vantagem.
E os absurdos infelizmente se repetem; o Corinthians ganhou da Chapecoense na quarta-feira pela Copa do Brasil e o jogo de volta será dia 15, em Chapecó. Três dias antes, Chapecoense e Corinthians jogam na mesma Chapecó pelo campeonato brasileiro.
Estão gozando da gente.
Um domingo quase feliz
Para me isolar de tantos assuntos absurdos, tipo alianças do Alckmin ou movimentos pró Lula, no domingo eu fui me distrair com os filhos e o neto no Allianz Parque (foto). A vitória do Palmeiras me deixou feliz e com a esperança de que o Felipão disputará o Brasileiro, a Copa do Brasil e a Libertadores.

À tarde, assisti o poderoso São Paulo do técnico Aguirre, depois vi o Santos sem técnico perder na Vila e, à noite, antes de dormir, tive o desprazer de ler na internet que o Neymar tinha dado a tal desculpa patrocinada durante o Fantástico.
Assisti hoje ao texto mal interpretado pelo jogador nesse comercial da Gillette que deve estar causando demissões. Não dá para aceitar a falta de sensibilidade de quem autorizou a agência ou contratou um maluco qualquer para escrever essa mensagem, por sinal, muito mal escrita.
Foi uma das ideias mais imbecis que eu tomei conhecimento na minha vida.
É impossível que ninguém tenha alertado o Neymar de que a desculpa ensaiada iria soar falso e que a sua imagem – de falsidade dentro do campo – seria ainda mais arranhada.
Dinheiro ele não precisa.
Ou então o Neymar está mesmo disposto a tirar uma com a nossa cara.
Modéstia à parte, eu avisei
Em novembro do ano passado, quando fiz a previsão de que a França poderia ganhar o título mundial (reprodução), muita gente achou que eu me precipitei. Mas não estava difícil perceber que a seleção francesa já tinha um time poderoso.

Naquela época, a Alemanha dividia o favoritismo com Espanha e Brasil, que vinha bem com o técnico Tite. A França aparecia depois, ao lado da Bélgica e da Argentina.
Tudo começou há um ano, quando os franceses perderam a Eurocopa para Portugal e o técnico Didier Deschamps não foi demitido. Ele teve tempo para assimilar a derrota, refletir e pensar com calma na Copa da Rússia. Ainda bem que a CBF resolveu manter o técnico Tite.
Lloris, Pogba, Matuidi, Griezmann e Giroud sentiram o gosto amargo daquela derrota em casa para os portugueses. Agora, mais experientes e reforçados com craques como Varane, Kanté e Mbappe, eles puderam festejar o bicampeonato.
Foi complicado ganhar da Croácia, que não se intimidou e partiu para cima dos franceses desde o início do jogo. A diferença é que o time croata tem força e a França talento.
Foi justíssima a indicação do Modric como melhor jogador da Copa, da mesma forma que a FIFA acertou ao eleger o belga Courtois como melhor goleiro, Mbappe a revelação e Griezmann o melhor do jogo.
Se o Brasil tivesse passado pela Bélgica não ganharia da França.