Finalmente eles se tornaram donos da sua invenção
No próximo dia 29 e no sábado seguinte, ou seja, em menos de uma semana, milhões de pessoas assistirão pela televisão Chelsea x Arsenal e Tottenham x Liverpool pelas finais da Europa League e da Champions League.
Seria como se Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro e Grêmio estivessem disputando os dois torneios mais importantes do mundo.
A decisão da Liga Europa na distante Baku, capital do Azerbaijão, é menos badalada do que a Champions League com final em Madrid, mas serve para demonstrar ao mundo a força do futebol inglês.
Dois grandes jogos, com o desfile de craques como Salah (foto), Mané, Firmino, Alisson, o badalado Lucas Moura, o sul-coreano Son, quem sabe Kane, Özil, Hazard, William e tantos outros destaques da Premier League.

O futebol inglês recebe esse justo prêmio por ter montado o campeonato com o maior número de times poderosos. Se a Espanha tem Real, Barça e Atlético, a Alemanha o Bayern e o Borussia Dortmund, a Itália a Juve, o Milan e a Inter, e a França o PSG, a Inglaterra reúne esses quatro finalistas mais os dois de Manchester, o City e o United.
São seis times muito fortes.
O Brasil? Nós ficamos insignificantes no mundo do futebol.
Nem tudo está perdido
Neste momento complicado do país em que o Supremo nos desafia com desmandos e provocações, como essa dos medalhões de lagosta e vinhos de primeira linha, eu andava desanimado até com o futebol.
A Copa da Rússia não foi lá essas coisas e os nossos campeonatos andavam sonolentos. Até o VAR preocupava, com muita gente achando que ele ia acabar de vez com a emoção do torcedor.

Mas eis que surgiram alguns momentos extraordinários no futebol. Dois dias depois de Grêmio e Fluminense disputarem aqui uma partida histórica com nove gols, o Liverpool eliminou o poderoso Barcelona depois de ter perdido o primeiro jogo por 3 a 0. E, nesta quarta, pela mesma Champions League, o milagroso Lucas (foto) marcou os três gols para que o Tottenham se classificasse depois de estar perdendo para o Ajax por 3 a 0 no agregado.
Nos três jogos o VAR esteve perfeito e deu a credibilidade que o futebol precisava. Hoje, está quase impossível levar vantagem com erros da arbitragem. Os jogadores estão entendendo isso e passaram a se preocupar mais com a bola.
O Supremo? Esse não tem jeito. Tem muito petista infiltrado nele.
Tem petista chato em todo lugar: aqui, na América do Sul, nos Estados Unidos, nos bancos suíços e até dentro da ONU.
Ô praga!
As livrarias estão fechando. Nossas cabeças também.
O uso do eBook está longe de substituir o nosso saudoso e bom companheiro livro, enquanto as últimas pesquisas mostram que as pessoas estão passando quase a metade dos seus dias nas redes sociais.
E, infelizmente, a leitura feita na internet está contribuindo ainda mais para o nosso emburrecimento. Hoje, nos sites, a saída de praia da Bruna Marquezine é tão ou mais importante do que a reforma da Previdência.
Para piorar, nas redes sociais as pessoas andam escrevendo muito mal, fruto das tantas mensagens digitadas nos seus celulares. Ninguém acentua mais nada, concordância verbal nem pensar, o vocabulário é zero.
A internet nos trouxe vantagens, é claro, como o Google, que aposentou o velho Aurélio e nos ajuda nas pesquisas. Mas em todas as redes sociais surgiu a tal de fake news, a maldita praga da atualidade.
Outro lado ruim da internet é quando ela é usada para trotes, golpes, brigas, assaltos e até para combinar ataques assassinos, como aquele na escola de Suzano e onde ficou claro o incentivo dos joguinhos de videogame.
Tanta tecnologia fez a gente aposentar também a máquina fotográfica. Hoje nós registramos tudo com o nosso celular, o que fez a Kodak quase falir, da mesma forma que a falta de leitura vai acabar provocando a falência da nossa cabeça.

Cala a boca, Magda!
Neste momento conturbado da política brasileira, o presidente precisa proibir os seus ministros de darem entrevistas. Esse “cala boca”, a começar por ele, Bolsonaro, evitaria as polêmicas que estão atrasando as medidas do novo governo.

Todo mundo sabe, inclusive a oposição, que o projeto da Previdência precisa ser colocado em pauta, mas a “resistência” faz barulho para retardar a votação e – ao invés de colaborarem – os ministros continuam falando bobagens.
É um bumerangue infernal. O “diplomata” Ernesto Araújo, por exemplo, dá uma declaração absurda, a imprensa petista critica e o presidente, irritado, bate forte em quem repercutiu a besteira. E, geralmente, vem com outra besteira.
O silêncio governamental – repito, começando pelo Bolsonaro – faria com que alguns problemas pudessem ser resolvidos, como o do Judiciário, que parece estar fazendo de tudo para que o cabo e os dois soldados apareçam de surpresa em Brasília.
Que os ministros do Bolsonaro se calem e deixem o senador Kajuru bater no Supremo. Eu conheço o Jorge Kajuru desde quando ele chegou em São Paulo, no final dos anos 70, e me pediu emprego na Rádio Globo. Ele é briguento, não desiste.
Durante toda sua carreira, Kajuru sempre foi demitido onde trabalhou. Agora, como senador eleito por Goiás, a Constituição lhe garante a imunidade. Não queria estar na pele do ministro Gilmar Mendes.
Na velhice o ateu sempre lembra de Deus
No meu tempo de faculdade eu tive alguns ídolos. Na música, por exemplo, curti bastante Chico e Caetano (foto). Com o tempo, esses dois petistas inveterados emburreceram politicamente e não querem entender que o Lula se corrompeu e perdeu a nossa confiança.

É inacreditável, mas eles continuam defendendo com unhas e dentes o bandido mais famoso do país.
Não acho que o Bolsonaro e seus militares salvarão o Brasil, até porque eles não são inteligentes como o Chico e o Caetano, mas é evidente que alguma coisa vai melhorar neste país que – meu Deus! – nos últimos anos ficou nas mãos da Dilma, do Temer e desse maldito judiciário que perdeu o juízo.
Não entendo todo esse fanatismo dos meus ídolos e seus agregados, tipo Juca Kfouri e José Trajano, para citar dois do meu meio, em aprovar tudo o que o PT fez ou faz de errado. E fico indignado com o silêncio deles a respeito do último julgamento indecoroso do Supremo ou sobre a ausência do pai presidiário no enterro do filho morto na tragédia de Suzano. A lei aqui não vale mesmo para todos.
Fico abismado ao constatar que os petistas mais convictos continuam falando maravilhas de Cuba e da Venezuela, mas sempre fazem as suas malas para Paris.
Um dia, meus ídolos vão perceber que não vale a pena ficar demarcando território em um mundo que não existe mais. Que eles voltem a batalhar, de forma honesta e imparcial, pela democracia que a gente sempre sonhou.
Nunca tivemos uma seleção tão fraca
Reclamam que ao convocar David Neres (foto) para o lugar do Vinicius Júnior o técnico Tite deixou de lado o atacante Dudu, eleito o craque do último campeonato brasileiro.

Mesmo sendo palmeirense, acho que o Dudu não tem condições de vestir a camisa da seleção e essa discussão mostra bem o baixo nível técnico do nosso futebol.
Na convocação dos defensores que vão enfrentar o Panamá e a República Checa tivemos duas novidades: o velhinho Daniel Alves, que nem anda jogando de lateral, e o Éder Militão, que mostrou na Champions estar longe de poder vestir a camisa amarela.
No miolo da defesa, Thiago Silva e Miranda são os titulares, mas os dois envelheceram e ficaram lentos. Marquinhos, convocado como zagueiro, agora é volante. Uma bagunça.
No meio, temos o Casemiro, que levou um baile do Ajax, junto com Arthur e Coutinho, dois reservas de luxo no Barcelona. Vamos ter de torcer pelo Paquetá.
A boa notícia foi a ausência dos jurássicos Paulinho, Renato Augusto e William.
Na frente, dependemos do futebol irregular do gremista Éverton, do inesperado David Neres, do Ajax, e do Firmino, companheiro do Salah e do Mané no Liverpool. Enquanto isso, Gabriel Jesus, Malcom e Richarlison nem titulares são no City, Barça e Everton.
A coisa tá feia. Dá vontade de chorar. Se o Neymar não se recuperar, vamos ter sérios problemas na Copa América.
ESPN e Globo, que vergonha.
Eu já vi de tudo na minha longa carreira de jornalista esportivo, mas nunca comentários sobre a atuação de um jogador que não entrou em campo.
Isso – acreditem – aconteceu no Bate Bola Debate, da ESPN. Os comentaristas Bruno Vicari e Celso Unzelte ficaram analisando o fraco desempenho do Fluminense e do Ganso (foto), contra o time chileno do Antofagasta, mas o jogador nem está inscrito nessa primeira fase da Copa Sul-americana.

Eles já se retrataram e pediram desculpas, mas eu não posso admitir jornalistas tão mal informados. Um deles, pra piorar a situação, disse que não tinha visto o jogo porque preferiu assistir a NBA.
Também não admito o anti-jornalismo da Globo quando ela omite informações dos torneios que não tem os direitos de transmissão, no caso Copa Sul-americana e Champions League.
Durante Palmeiras e Ituano, na quarta-feira, a Globo escondeu o jogo Corinthians e Racing pela Sul-americana. Quando ela resolveu tocar no assunto (para ser menos criticada), o empate levou a decisão para os pênaltis e aí o programa Segue o Jogo levou a surra que merecia da RedeTV.
O pior é quando a Globo omite a Champions League. Será que ela não percebe que não dá para esconder o maior torneio do mundo?
A briga dos atores dá mais audiência do que a novela
O autor Aguinaldo Silva está vivendo momentos difíceis em O Sétimo Guardião, a novela das nove da Globo, a do gato preto.
Há algum tempo, Marina Ruy Barbosa, Bruno Gagliasso e José Loreto não se falam depois de algumas confusões na vida real. Por causa disso, o autor está reescrevendo capítulos na tentativa de expor um pouco menos os componentes do triângulo amoroso da novela.

Como agora eles não se falam nem profissionalmente e só ficam frente a frente na hora das gravações, Aguinaldo está pensando em mudar a sua história se os atores mimados da Globo não entenderem que, na vida, tudo sempre passa muito depressa.
Se eu fosse o autor escreveria para a Luz (Marina) um texto mais ou menos assim: “Júnior (Loreto), por que você foi covarde e não assumiu o que fez?” O ator chorão cairia no choro e, em seguida, se recusaria a continuar o diálogo.
Em outra cena, Luz diria: “Gabriel (Gagliasso), você não pode deixar que as mulheres mandem em você”. Estouradinho do jeito que é longe da mulher Giovanna Ewbank ele se negaria a gravar.
Pronto. O problema estaria resolvido. Os dois teriam os seus contratos rescindidos por justa causa e a Marina Ruy Barbosa poderia trabalhar com outros dois galãs, talvez mais bonitos e, certamente, mais altos do que os dois.
Aguinaldo precisaria ter culhões para isso. Pena que ele não tem.
Toca o barco, ou melhor, toca a vida.
Durante os últimos anos em que trabalhei com o Faustão, na época em que o seu programa era apresentado do Rio de Janeiro, eu voei de helicóptero junto com o apresentador umas trinta vezes.
Sempre viagens curtas, de oito a dez minutos, o tempo suficiente para que eu passasse a odiar esse tipo de aeronave que já matou, entre tantos, o comandante Rolim Amaro, o deputado Ulysses Guimarães, o jogador Fernandão e agora o jornalista Ricardo Boechat.

Em todos os domingos, nossas mini-viagens aconteciam entre o Projac e o aeroporto Santos Dumont, de onde decolava o jatinho que a Globo alugava para o Faustão retornar a São Paulo. Eu sempre aproveitava a carona.
O problema é que os sustos se tornaram cada vez mais frequentes, como quando quase tivemos de descer na praia do Pepê por causa dos ventos fortes. Em outro domingo, uma porta da geringonça se abriu e eu tive de mantê-la fechada durante todo o vôo. Haja braço.
Lembro de quando disse ao Faustão que preferia voltar no dia seguinte usando o avião da Ponte Aérea. Também preocupado, ele decidiu que, a partir daquele dia, nós iríamos de carro até o aeroporto, mesmo correndo o risco de perder o pouso em Congonhas.
Por mais que os especialistas digam que voar de helicóptero é seguro, eu acho que esse é o caminho mais curto para a morte. Nos últimos 10 anos, sofreram acidentes outros 22 aparelhos iguais a esse que matou o Boechat e o piloto Quattrucci. É muito acidente.
No São Paulo, banana tá comendo macaco
Time grande precisa de técnico experiente e que tenha personalidade forte para comandar o elenco nos momentos difíceis. Não é o que está acontecendo no São Paulo, onde o Jardine (foto) não consegue fazer a equipe sãopaulina decolar.

Dois bons assistentes promovidos a técnicos, Zé Ricardo e Jair Ventura, sucumbiram justamente nas crises. Isso aconteceu também com Osmar Loss no Corinthians e Alberto Valentim no Palmeiras, que resolveu o seu problema contratando o velho Felipão.
O Flamengo colocou o seu time milionário nas mãos do veterano Abel Braga.
A exceção é o Fábio Carille, que virou técnico do Corinthians e acabou sendo campeão paulista e brasileiro. Ele está de volta depois da passagem pelo futebol árabe e que ninguém se surpreenda com a sua demissão se alguns títulos escaparem.
Sampaoli é o exemplo de quem chegou para resolver o problema. O chileno pegou o Santos que nem o Cuca conseguiu arrumar, recebeu o elenco em frangalhos (sem Gabigol e Bruno Henrique) e, mesmo assim, transformou o time da Vila numa boa equipe.
Enfim, o Jardine pode até eliminar o Talleres na quarta-feira, mas eu não acredito que ele será mantido no cargo. Explico: na derrota em Córdoba eu fiquei assustado com o esquema do São Paulo em que o Pablo fica enfiando bolas para o Hernanes na área adversária.
Não devia ser ao contrário?