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Por que criticam tanto o Neymar?
Depois de dribles desconcertantes, às vezes ele xinga e olha com cara de demônio para quem o derruba. Reclama, recebe cartões amarelos e também erra, como todo ser humano, mas no dia seguinte o seu sorriso denuncia que ele é uma criança.
Por que então o Neymar semeia tanta antipatia?
Em casa, meu filho Julian o chama de fominha, mesmo depois do presente que ele deu para o Gabriel Jesus contra o Chile. E eu sempre recebo recados no Face da amiga Ghis Romag, que chama o nosso maior craque de mascarado.
Essa fama pode ter sido agravada no torneio olímpico, quando Neymar não gostou das críticas e brigou com o Galvão Bueno. Aqui para nós, é preciso ter muita personalidade para fazer o que ele fez. E, para calar o narrador, o marrento ainda ganhou o ouro inédito.
Recentemente, o jogador mais caro do mundo montou um instituto na Praia Grande para dar assistência a mais de 2 mil crianças, ideia que só o Senna e a Xuxa tiveram. Não me lembro de outros investimentos parecidos feitos por jogadores famosos e milionários.
Orientado ou não, a verdade é que Neymar resolveu dar atenção especial para as pessoas especiais que precisam de carinho. Foi assim antes do jogo com o Chile, quando ele visitou a fã Ana Clara, de 8 anos, menina que tem uma desordem genética. Depois, no dia seguinte, ela estava no colo dele, em campo, durante o hino nacional.
Não me pareceu uma jogada de marketing. Foi lindo.

A magia do futebol vem da sua imprevisibilidade.
Foi normal a vitória do Brasil sobre o time chileno, que ficou abatido por ficar fora da Copa (que o diga o Valdívia, na foto), mas existem situações em que o inesperado faz com que o futebol se torne ainda mais apaixonante.

Exemplo: a gente sabia que a Argentina poderia ganhar do Equador, mesmo jogando em Quito, mas seria impossível imaginar que Messi lavaria a alma marcando os três gols da classificação.
Quem poderia prever que o experiente goleiro colombiano Ospina daria de presente a repescagem para o Peru? Ninguém também esperava a derrota do Paraguai em casa para a Venezuela.
Na classificação da Costa Rica, na semana passada, foi um milagre o gol do Waston aos 50 minutos do segundo tempo. Pouca gente sabe que o zagueiro que mandou Honduras para a repescagem foi cortado da Copa de 2014 pelo técnico que hoje treina a seleção hondurenha.
O futebol é tão apaixonante que se o Chile tivesse feito o gol no seu último ataque, quando o goleiro Bravo foi para a área brasileira, o menino Jesus não marcaria no contra-ataque e a seleção chilena estaria na repescagem.
Como Peru e Chile terminaram com 26 pontos em quinto lugar, com 2 a 1 para o Brasil as duas seleções empatariam no saldo de gols (um) e nos gols marcados (27), mas o time chileno ficaria com a repescagem pelo confronto direto: ganhou por 4 a 3 em Lima e por 2 a 1 em Santiago.
É estranho torcer pelo Messi e não pela Argentina.
José Mourinho considerou a nossa eliminatória como a mais difícil do mundo por colocar frente a frente Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Colômbia. O que o técnico do Manchester United não imaginava é que Paraguai e Peru iam entrar na briga por uma vaga, deixando o torneio ainda mais competitivo.
Mesmo sem Vidal, suspenso, o Chile enfrentará o Brasil com outros craques como Sanchez, Vargas, Bravo e o ex-palmeirense Valdívia. Não será fácil os chilenos conquistarem a vaga na Copa ou se garantirem na repescagem, mas que ninguém menospreze a raça do time do técnico Pizzi.
Um alerta: como o clima pode esquentar no Allianz Parque existe o risco de algum brasileiro ser expulso e ficar fora do primeiro jogo da Copa.
No lado argentino, contra o Peru ficou evidente a falta de qualidade dos hermanos, incluindo Di Maria. Dá dó ver o Messi jogando sozinho. Para piorar, o baixinho Sampaoli apostou suas fichas no centroavante Benedetto, que está longe de ser um Higuain ou um Lucas Pratto.
Eu estou vivendo uma sensação estranha. Gostaria de ver a Argentina desclassificada porque, na Copa, os vice-campeões mundiais poderão nos dar muito trabalho. Mas decidi me juntar a todos que torcerão pelo Messi. Ele merece estar na Rússia.
O problema é que – aqui pra nós – falta ao craque argentino um pouco da malandragem que Pelé e Maradona tiveram de sobra.

Ladrão de esperança.
Nos anos 80, num almoço em que eu estive na Cantina Roma, aqui em São Paulo, quando o Lula soube que o encontro tinha sido marcado para que ele apoiasse a eleição indireta para presidente, o líder sindical agradeceu o convite, levantou da mesa e foi embora.
Antes de sair, Lula ainda perguntou para Osmar Santos se ele estava de acordo com a proposta dos militares. Quando a Voz das Diretas respondeu que se tratava do primeiro degrau para se chegar à democracia, o líder do PT disse, resmungando, que todos nós estávamos sendo enganados.
Lembro que Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro e Mário Covas ficaram sem palavras e que o Osmar me olhou meio sem jeito por saber que eu não gostava da ideia do Colégio Eleitoral.
Eu gostei da atitude do Lula. Mais tarde votei nele várias vezes e – confesso – no primeiro mandato cheguei a considerá-lo o melhor presidente do Brasil.
Aos poucos fui percebendo o meu engano e comecei a me arrepender das tantas vezes em que eu coloquei esse ladrão no ar nas transmissões esportivas da Rádio Globo e no programa Balancê. Em1984, Lula vivia falando no rádio e na tevê, como se vê na foto em que ele conversa com Fausto Silva no Perdidos na Noite.

Não consigo entender alguns dos meus colegas de jornalismo que, na época, também acreditavam no Lula. Hoje, eles continuam defendendo esse traste, como se ele não fosse o responsável pela formação de tantas quadrilhas nos últimos vinte anos.
Não faço ideia de quanto o Lula roubou. O que eu sei é que ele me levou o que tenho de muito valioso: a esperança.
Eita baixinho complicado
Não tenho nada contra os que têm baixa estatura, ao contrário, trabalhei com vários deles, alguns muito inteligentes e que me ajudaram demais nos meus 40 anos de jornalismo. Agradeço a todos.
O que parece um carma é que, de vez em quando, eu cruzo com um baixinho meio espaçoso tipo Marco Aurélio Cunha, que eu conheci numa pizza na casa do Faustão. Não conversei com ele, mas percebi – sentado na mesma mesa – tratar-se de uma daquelas pessoas que querem sempre ficar de bem com todo mundo.

O conselheiro do São Paulo que não ficou muito tempo comandando as equipes do Coritiba, Santos e Figueirense foi diretor de futebol no Morumbi na época em que o tricolor ganhou títulos importantes. Até eu daria certo com aqueles craques e com técnicos como Telê Santana e Muricy Ramalho.
Nos últimos anos, Marco Aurélio pediu licença do cargo de vereador paulista para ser coordenador da seleção feminina de futebol, de onde saiu para assumir outra vez o cargo de diretor do São Paulo. Depois de participar da turma que colocou o tricolor nessa situação delicada, ele voltou para o comando do nosso futebol feminino.
O amigo do presidente da CBF reassumiu o seu cargo gerando logo uma tremenda crise com a dispensa da técnica Emily Lima. As jogadoras começaram a abandonar a seleção que ele colocou de novo nas mãos do Vadão.
Por que será que esse baixinho não sossega em lugar nenhum?
O pioneiro no árbitro de vídeo
Quando Sandro Meira Ricci deu o pênalti para o Sport e voltou atrás depois de ouvir um dos seus assistentes, poucos lembraram que esse árbitro da FIFA é especialista em esperar até que alguém informe o que foi mostrado na tevê.

Foi assim no ano passado, no Fla-Flu, quando ele validou o gol do Fluminense e depois demorou 12 minutos para dar o impedimento do zagueiro Henrique. Essa indecisão proposital rendeu ao árbitro suspensão de 60 dias. Mas ele está aí, de novo, fazendo as suas lambanças.
O mineiro Ricci já apitou finais da Copa do Brasil, do Mundial de Clubes e da Libertadores da América, mas foi na Copa de 2014 que ele ficou famoso por ter sido o primeiro a usar a tecnologia de linha de gol na partida entre França e Honduras.
Talvez não saia da sua cabeça esse episódio e o da Copa América de 2015, quando expulsou o atacante Cavani e depois viu na tevê que o chileno Jara tinha dado uma “dedada” na bunda do uruguaio.
Depois de o técnico Luxemburgo dizer no Bem Amigos que o árbitro de vídeo já começou, aqui vai a minha ironia: ao ver que o pênalti marcado era contra o Vasco, Ricci deve ter pensado no Eurico Miranda, que exigiu da CBF a implantação do novo recurso.
Novo recurso para nós, não para o Sandro Meira Ricci.
Sexto do mundo é o Tite? Não, Renato Gaúcho
O site inglês Football World Rankings acaba de eleger Renato Gaúcho como o sexto melhor técnico do mundo. Pelos resultados das últimas 38 semanas, o comandante do Grêmio só perde para Zidane, Luis Enrique, Simeone, Allegri e Gallardo.

Sua carreira sempre foi recheada de confusões e rebeldias. Mas Renato Portaluppi mudou o seu comportamento neste momento em que se destaca como técnico, a função que ele exerce – pasmem – há 17 anos.
De vez em quando ele ainda provoca polêmicas, como quando disse ter sido melhor do que o CR7, mas hoje o maior ídolo do Grêmio amadureceu. Aos 55 anos, está mais calmo, mais comedido.
Pouca gente lembra que ele comandou sete times no futebol brasileiro (cinco vezes o Fluminense e três vezes o Grêmio) em 520 jogos, com aproveitamento de quase 55%.
Nos seus também 17 anos como jogador foram 532 jogos e 199 gols pelo Grêmio, Flamengo, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Roma e Bangu.
Em 1983, na final de Tóquio, o então mulherengo ponta-direita marcou os dois gols do título mundial do Grêmio. Foi convocado para a Copa de 86, mas acabou cortado por Telê Santana por indisciplina.
Agora, o gaúcho de Guaporé está à frente do único time brasileiro finalista na Libertadores e muito perto de se consagrar se vencer esse torneio como jogador e como técnico.
Mais velho do que andar pra frente.
A cusparada do Bruno Henrique e a entrada criminosa do Rodriguinho mostraram que os jogadores brasileiros continuam perdendo a cabeça contra equipes sul-americanas.

O comportamento deles nas eliminações do Santos na Libertadores e do Corinthians na Sul-americana não podem ser tolerados. Quem acompanhou as partidas da Vila Belmiro e do Avellaneda teve a sensação de estar vendo jogos de várzea.
Hoje os jogadores recebem fortunas, têm mil assessores e são um pouco mais bem informados, por isso já estava na hora de entenderem que nessas partidas sempre acontecem mil provocações.
Que o jovem Carille não tenha se preocupado dá para entender, mas no caso do Levir Culpi isso é inadmissível porque ele já dirigiu 25 equipes em seus 31 anos como técnico de futebol.
Em Quito, o experiente Abel Braga preparou bem o seu time, que seguiu na Sul-americana marcando um gol fora de casa. E não deve ter sido fácil manter a tranquilidade dos jogadores do Fluminense, que perdeu duas finais para a LDU, uma na Libertadores e outra na Sul-americana.
Não adianta o corintiano Fagner convocar os times brasileiros a pressionarem a Conmebol. O lateral devia é cobrar do companheiro Rodriguinho um pouco mais de bom senso, ele que fez o Corinthians jogar com um a menos no momento mais importante do jogo.
Samba do crioulo doido.
Acho que o árbitro de vídeo precisa de um amadurecimento maior, ou seja, deveria ser adotado em alguns jogos dos campeonatos regionais de 2018 e, em seguida, no Brasileiro do ano que vem.
Por mais que esse recurso seja importante, não poderia ser usado na fase final deste campeonato brasileiro, principalmente se não estiver em todos os jogos. Imaginem um time ser rebaixado por causa de um erro de arbitragem numa partida sem o árbitro de vídeo.

O nosso futebol também não está preparado para a novidade por causa da mentalidade do jogador brasileiro. É inaceitável ver um zagueiro tentando convencer o árbitro de que ele não fez a falta depois de enfiar o pé no peito do adversário.
Outras situações podem inviabilizar e desmoralizar esse recurso se não houver uma sintonia perfeita entre todos que estiverem trabalhando, lembrando que o árbitro de vídeo terá as mesmas imagens da transmissão feita pela tevê.
No lance do Jô, por exemplo, o goleiro Martin Silva avisou na hora que o corintiano tinha usado o braço. Se ele não tivesse reclamado, o árbitro de vídeo perceberia a irregularidade na terceira ou quarta repetição do lance. O árbitro de campo seria avisado depois de um bom tempo e aí tudo viraria uma grande bagunça.
Enfim, esse recurso um dia vai funcionar no Brasil e eu torço muito por isso. O problema é que ele está sendo implantado às pressas e a decisão veio depois de uma reunião entre o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o presidente do Vasco, Eurico Miranda.
É difícil não se preocupar com essa dupla.
Advogado que mente não vai preso? Por que?
Quem assiste ao Jornal Nacional está acostumado a passar minutos e mais minutos ouvindo os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcelos dando as versões das defesas dos envolvidos na Lava Jato.

Não entendo nada de advocacia, mas sei – e concordo plenamente – que todo cidadão tem o direito de se defender. O que me espanta é ver que, na maioria dos casos, os advogados mentem sabendo que seus clientes são culpados e depois nada acontece com eles.
É mais ou menos o que acontece nos tribunais quando provas e mais provas de um assassinato são apresentadas e o advogado de defesa fica inventando histórias para ganhar tempo e confundir os jurados.
Nos casos mais evidentes da Lava Jato, os de Rodrigo Rocha Loures, filmado com a mala dos R$ 500 mil, e de Gedell Vieira Lima, que deixou suas digitais nas cédulas dos R$ 51 milhões, os advogados continuam garantindo que a inocência dos seus clientes será provada na Justiça.
Eu repito: não entendo nada do assunto e não sei que tipo de vigilância e de punição a OAB faz (se é que faz). O que eu sei é que os advogados de centenas de políticos e empresários envolvidos na Lava Jato estão mentindo deslavadamente e nada acontece com eles.
Ao contrário, todos estão ficando mais ricos do que aqueles que roubaram.