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O presidente do Santos não era torcedor do Peixe
Não é o caso do José Carlos Peres (na foto, ao centro), eleito recentemente, mas a verdade é que o Santos já teve um presidente corintiano.

A história começou no final dos anos 70, quando Pelé sofreu um desfalque do empresário Pepe Gordo na época em que o Rei não jogava mais e tinha acabado de se separar da primeira mulher.
Naqueles dias, bem antes de ir para o Cosmos e com sérios problemas financeiros, Pelé vivia na casa do Manuel dos Santos Sá, aqui em São Paulo, perto de onde eu moro no Parque da Mooca.
O dono das Tintas MC pagou muitas contas do Rei que, mais tarde, para demonstrar o seu agradecimento, teve a ideia de colocar o amigo na presidência do Santos.
O Mané das Tintas era bem conhecido na Baixada Santista por ter começado ali a sua grande rede de lojas, por isso o conselho deliberativo aceitou a sugestão do Pelé e elegeu o Mané em 1987.
No dia da posse, no portão principal da Vila Belmiro, algumas pessoas viram o distintivo do Corinthians no painel da Mercedes. Quando percebeu os olhares surpresos, o novo presidente comentou rapidamente que o carro era do seu irmão.
Eu repito, essa história nada tem a ver com o Peres, a quem eu desejo sorte no trabalho junto com o seu vice, Orlando Rollo (na foto, à direita) e o colaborador Odir Cunha (à esquerda), jornalista com quem eu trabalhei e por quem eu ponho a mão no fogo.
É meio difícil conviver com o Odir, mas ele tem boas ideias e – o mais importante – é honesto.
Uma história para homenagear o meu pai
Neste domingo, 10 de dezembro, meu pai completaria 100 anos. Ele morreu em 2014, com 96 anos bem vividos.

Palmeirense desde a infância, o pequeno Arnaldo jogava pingue-pongue no bairro da Bela Vista com o Ministrinho, jogador do Palestra Itália que comia macarronada na casa dos Scatamachia antes de subir no bonde que o levava ao Pacaembu.
A segunda paixão do meu pai foi Oberdan Cattani, titular do Palestra e do Palmeiras durante 10 anos. O goleiro de mãos enormes esteve na Copa Rio de 51, conquista reivindicada pela diretoria palmeirense como título mundial.
Como fazia tempo que o Scatamachia de 86 anos não ia a um estádio de futebol, em 2004 eu o convidei para assistir Palmeiras e Santo André, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. O primeiro jogo terminou 3 a 3 e o time palmeirense precisava de uma vitória simples. Se fizesse 4 a 0 poderia até perder de 4 a 3.
Quando o avô e os netos Jean e Julian escolhiam seus lugares, Oberdan Cattani sentou ao nosso lado. A emoção do meu pai foi grande por estar perto do seu ídolo, um dos maiores goleiros do Palmeiras em todos os tempos.
Tudo ia bem até o Marcos começar a falhar. Enxergando pouco à noite, nosso goleiro sofreu quatro gols de cabeça e o Palmeiras foi eliminado no empate de 4 a 4. Meu pai e Oberdan se olharam e saíram mudos do Parque Antártica.
Arnaldo Scatamachia se foi antes de a última Copa começar. Naqueles dias, com a mesma idade, morreu Oberdan Cattani.
O seguro morreu de velho. Ou de frio?
Assistindo ao jogo Shakhtar Donetsk e Manchester City, pela Champions League, entendi o motivo de o Tite ter ido até a Ucrânia. Ele enfrentou neve e frio para ver Bernard, Fred, Ismaily e Taison no time ucraniano e Ederson, Danilo, Fernandinho e Gabriel Jesus na equipe do técnico Guardiola.
Tite não deve ter gostado das atuações dos convocados Ederson, Danilo e Fernandinho, que falharam bastante na defesa do City.
No Shakhtar, o baixinho Bernard foi bem, mas ele remete demais aos 7 a 1. Enquanto isso, o nono brasileiro, o melhor em campo, foi o ex-sãopaulino Marlos, hoje naturalizado ucraniano.
Nosso técnico anda um pouco assustado com os comentários feitos no sorteio da Copa de que a nossa seleção terá dificuldades na primeira fase. Isso é bobagem. Com seus dois mil jogadores atuando no Exterior, o Brasil pentacampeão não deve se preocupar com Suíça, Costa Rica e Sérvia.
O time sérvio pode até nos dar mais trabalho em função de ser um futebol que expatriou 400 jogadores nos últimos anos. Mas essas revelações surgiram mais em quantidade do que em qualidade, ou seja, são poucos os craques.
Eu admiro o trabalho e a preocupação constante do Tite, mas achei desnecessário o seu sacrifício no Metalist Stadium da Ucrânia. Ele podia ter visto esse jogo pela tevê, como eu, sem o risco de pegar um tremendo resfriado.

Dedo-duro arrasador
Nos anos 70, quando eu era chefe de esportes da Rádio Globo, trabalhei com o J. Hawilla que hoje se transformou na pessoa mais odiada no meio corrupto do esporte. Com a sua delação premiada, aceita em 2014, ele desencadeou a maior caçada já feita pelo FBI aos dirigentes que ganharam dinheiro fácil no futebol.

Antes do acordo selado nos EUA, onde vários dos seus crimes foram cometidos, Hawilla gravou as pessoas subornadas, como fez o Joesley Batista. Depois, em troca de pagar U$ 151 milhões (quase meio bilhão de reais), ele escapou da prisão americana.
No começo desta semana, mesmo com graves problemas respiratórios, Hawilla reiterou as denúncias e implicou ainda mais os brasileiros Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.
Na época da Rádio Globo, o Jotinha, como era chamado por Osmar Santos, estava começando a vender placas publicitárias nos estádios. Essa atividade tão lucrativa quase foi interrompida na greve dos jornalistas de 1979, quando ele fez um discurso inflamado na Igreja da Consolação e, no mesmo dia, ficou sabendo que seria demitido.
A saída foi pedir ajuda ao prefeito Paulo Maluf, também de origem libanesa. Com a ajuda do patrício, o emprego na TV Globo ficou garantido e, podendo comercializar as placas sabendo com antecedência quais jogos seriam transmitidos, Hawilla começou a acumular a sua fortuna, que chegou aos R$ 2 bilhões.
Ou melhor, agora só R$ 1 bilhão e meio.
Lucas Lima provocou menos do que o Viola
Alguns palmeirenses não estão gostando da contratação do Lucas Lima por causa das gracinhas que ele postou nas redes sociais. Então vem a pergunta: e o Viola vestindo a camisa do Palmeiras?
Em 1996, quando o ídolo corintiano voltou do futebol espanhol, a diretoria palmeirense contratou o atacante depois daquela famosa imitação do porco na decisão do Paulista de 93.

Como Rogério Ceni, Pelé, Marcos, Ademir da Guia, Zico e tantos outros que não trocaram de clube, Roberto Dinamite nunca esteve num time rival. Ele defendeu o Vasco em 1.140 jogos e vestiu as camisas do Barcelona e da Portuguesa 21 vezes.
Enquanto isso, Edmundo, o xodó da torcida palmeirense, um dia foi jogar justamente no Corinthians. Leão também tinha feito isso antes de encerrar a sua carreira novamente no Palmeiras.
Quando voltou da Europa, o vascaíno Romário escolheu o Flamengo. O ódio da torcida só terminou quando o Baixinho voltou para São Januário. Bebeto fez o inverso ao trocar o Flamengo pelo Vasco.
Os gremistas nunca perdoaram Ronaldinho Gaúcho. Após ter sido eleito duas vezes o melhor do mundo, o craque gaúcho se despediu do Milan e preferiu o Flamengo.
Casagrande é outro exemplo de quem foi amado e odiado. O ídolo corintiano jogou no São Paulo, voltou ao Corinthians e ainda fez sucesso no Flamengo antes de retornar ao Parque São Jorge.
Pênalti e Thiago Silva são mesmo incompatíveis
Pouca gente percebeu que neste domingo, no estádio do Mônaco, Thiago Silva ficou de costas no momento em que o Neymar bateu o pênalti para o PSG.

Ele certamente estava nervoso por ter participado, junto com Daniel Alves, das conversações com o Cavani para que o amigo Neymar cobrasse os pênaltis. Por isso ficou torcendo e rezando.
O capitão da seleção brasileira na Copa de 2014, famoso por ter pedido ao Felipão para não participar das penalidades contra o Chile, já tem um histórico nesse assunto.
Em 2015, o juiz marcou pênalti dele contra o Chelsea, mas depois Thiago se redimiu ao marcar o gol que tirou o time inglês da Champions League. Três meses depois, na desclassificação do Brasil na Copa América, o Paraguai empatou o jogo cobrando pênalti cometido por ele.
Nosso zagueiro emotivo esteve impecável na vitória sobre o Mônaco. Foi perfeito no desarme, saiu jogando com a sua tradicional elegância e não deu chance para o atacante Falcão Garcia. Só se descontrolou na hora do pênalti.
Thiago é uma opção importante na seleção do Tite e pode até ser titular na Rússia. Se isso acontecer, tomara que a gente não tenha pênaltis nos jogos da Copa.
Manda quem pode, obedece quem (não) tem juízo
O Palmeiras acaba de anunciar o técnico Roger Machado para 2018 e está prestes a contratar Lucas Lima, o grande desafeto da torcida. Dois nomes não muito festejados por parte da torcida palmeirense.
Parece que a diretoria do Palmeiras adora uma confusão.
Isso anda acontecendo por falta de comando. O presidente Maurício Galiote nunca está presente nas crises e é um fantoche nas mãos do cardeal Mustafá Contursi e da patrocinadora Leila Pereira.

Resumindo, os três mandam e o Alexandre Mattos (foto) obedece. O problema é que o diretor de futebol rasga dinheiro em contratações absurdas, tipo a do colombiano Borja e de tantos outros jogadores do elenco milionário do Palmeiras.
É por isso que a Mancha Verde fez a extensa lista de jogadores a serem dispensados com os nomes de Egídio, Róger Guedes, Fabiano, Luan, Juninho, Antonio Carlos, Arouca, Michel Bastos, Deyverson (já meio perdoado), Bruno Henrique e Erik.
Se por um lado a organizada aprovou a compra do Diogo Barbosa para o lugar do odiado lateral Egídio, o ex-santista Lucas Lima – se for contratado – pode gerar uma situação inédita. Imaginem a torcida vaiando aquele que deveria ser o ídolo do time.
Para complicar ainda mais, ninguém deve esquecer que os torcedores gostam do Felipe Melo. Fico imaginando se o Roger Machado não escalar o volante e se o Lucas Lima bater de frente com o Pitbull.
O mais velho é a bola da vez
Com seus 68 anos, Paulo César Carpegiani é o técnico mais velho em atividade e vem fazendo um trabalho extraordinário no Bahia. Ele foi contratado no começo de outubro e, um mês depois, o time baiano já estava longe do rebaixamento.

Mesmo perdendo neste domingo para o Sport, em Recife, o Bahia continua classificado para a Sul-americana e pode chegar à Libertadores se vencer a Chapecoense e empatar com o São Paulo. Lembrando que o G6 virou G7, pode ser G8 e até G9.
Os jovens não lembram – ou não sabem – que o Carpegiani foi um craque do Inter, do Flamengo e da Seleção. Como treinador, conquistou o título mundial dirigindo o Flamengo e depois comandou 18 equipes brasileiras, além das seleções do Paraguai e do Kwait.
Resumindo, experiência não falta a esse gaúcho de Erechim que deverá ser um dos técnicos mais disputados para a próxima temporada.
Se o Palmeiras não oficializar Alberto Valentim à frente do seu elenco milionário, o técnico do Bahia poderá ser lembrado. Ele teve uma rápida passagem pelo time palmeirense em 1991.
Se não houver interesse do Palmeiras, Carpegiani certamente será procurado pelo Santos. No dia 9 de dezembro acontecerão as eleições na Vila Belmiro e, com diretoria nova ou não, é muito difícil que o time santista mantenha Elano como técnico no ano que vem.
Preocupado, Tite deve monitorar Jô e Hernanes
O técnico Tite saiu meio assustado do jogo em Wembley. Contra a Inglaterra que entrou em campo sem sete titulares, o futebol da Seleção foi feio, ineficiente, burocrático.

Ficou evidente que o time fica meio perdido quando Neymar não está bem. Para alegria do Galvão Bueno, o nosso maior craque andou sem inspiração, chutando bolas nas nuvens.
Sobre a necessidade de armar um esquema sem o seu maior craque (como aconteceu nos 7 a 1) o técnico Gareca nos deu uma aula de futebol na madrugada de quinta-feira. Ele conseguiu classificar o Peru para a Copa sem o atacante Guerrero.
Com Diego em baixa na reserva, Tite começa a pensar em Hernanes, o meia são-paulino que – para preocupar ainda mais – não jogou bem na derrota do São Paulo para o Grêmio.
Como o Firmino não se firma, o nosso técnico certamente vai olhar com mais atenção para o centroavante Jô, o herói do título antecipado do Corinthians. Gabriel Jesus é o titular, mas não tem substituto em caso de contusão.
Não bastassem esses problemas, Tite precisa pensar o que fazer com o meio de campo da Seleção. Casemiro, Paulinho e Renato Augusto não convencem. Os três são limitados e, numa Copa do Mundo, admite-se só um ou outro jogador comum em cada setor. Nunca os três.
Um, dois, três. Maluf no xadrez
No começo dos anos 80 eu fui convidado para dar aula de Rádio na FIAM. O diretor da faculdade, Roney Signorini, me convidou por causa do sucesso do programa Balancê, que era apresentado por Osmar Santos, a Voz das Diretas.
Tive uma ideia que o professor Roney adorou: eu levaria o Balancê para o auditório da FIAM e, em seguida, os alunos seriam divididos em grupos para estágios na Rádio Excelsior.
Os grupos teriam a mesma divisão que o Balancê já tinha, ou seja, Esportes, Política, Variedades e Jornalismo. Depois de três meses, o programa voltaria para a faculdade com os alunos sendo os responsáveis. Isso serviria para a avaliação do semestre.
O Balancê lotou o auditório da FIAM. Na coxia, o professor Roney me abraçava a cada momento em que a plateia aplaudia. “Que maravilha, que sucesso” – ele dizia.
Tudo ia bem até o humorista Escova imitar Paulo Maluf. O Osmar não perdeu a piada e puxou o coro famoso nos seus comícios pelas Diretas: “Um, dois, três… Maluf no xadrez”.

Roney ficou roxo de raiva e abandonou a coxia. É que a faculdade era do Edvaldo Alves da Silva, advogado do Maluf.
Resumindo: minha carreira de professor durou um mês. Quando voltei na FIAM para dar baixa na carteira profissional cruzei com o Roney no corredor e – graças a Deus – ele fez que não me viu.