A obra-prima do pai do Pio
Eu tive o privilégio de trabalhar com o Domício Pinheiro, um mestre da fotografia.
Ele era esquisito? Era. Ranzinza? Muito. É que o Domício não tinha tempo para ser simpático. Estava sempre farejando o melhor assunto e procurando o ângulo certo para usar a sua Pentax.
O normal no jornalismo impresso sempre foi a fotografia ilustrar a matéria do repórter. No caso do Domício, geralmente o texto da reportagem era feito a partir da imagem que ele conseguia.
É bom lembrar que na época não existia câmera digital e, mesmo sabendo que era preciso colocar e tirar o velho rolinho com o filme, Domício usava a sua máquina fotográfica como se estivesse com uma metralhadora na mão. Fazia sequências e mais sequências, para depois escolher a foto perfeita.
Foi assim que ele flagrou, em 1974, a fratura na perna do atacante Mirandinha. Uma imagem trágica, mas histórica. Foi assim que ele registrou para o Grupo Estado os momentos mais importantes da carreira do Pelé, seu eterno modelo fotográfico.
Lembro da minha primeira matéria assinada na Folha de S. Paulo, em 1972. Quando o editor Aroldo Chiorino perguntou se alguém na redação tinha alguma sugestão para ilustrar a reportagem sobre o Pelé, apareceu do nada um cabeludo chamado Pio Pinheiro e disse: “Coloquem essa foto do meu pai”.
E a ilustração acabou sendo essa fantástica silhueta do Rei.
