Tem pai que é cego.
O humorismo do Jô Soares nos anos 80, no seu programa Viva o Gordo, hoje nem iria mais ao ar com tanto patrulhamento, mas a expressão continua sendo usada quando um pai não quer ver os defeitos do filho.
Na Seleção, o Tite sempre arruma uma desculpa para o Neymar. Claro que o técnico não falaria mal do seu craque num microfone, mas deveria – com todo o seu cacife – ter uma conversa reservada com o jogador exigindo menos espetáculo e mais jogo coletivo.

Esse é um defeito dos técnicos brasileiros. Com exceção do Luxemburgo, que criticou o time inteiro do Sport depois da goleada para o Grêmio, os outros sempre evitam confrontos. Nem mesmo o Cuca – desafiado pelo Felipe Melo no vestiário – teve a coragem de criticar o Pitbull na entrevista coletiva.
Quando o Neymar resolve a partida com seus dribles geniais, os técnicos se desmancham em elogios. Basta uma crítica ou um desentendimento para que o craque use todo o seu prestígio. Foi assim com o Dorival Júnior no Santos e com o Juan Carlos Unzué, o auxiliar técnico do Barcelona que poderia ter substituído o Luis Enrique.
Esse lado do Tite de se fazer de bobo eu não gosto. Lembro sempre do beijo no Marco Polo Del Nero no dia da sua apresentação como técnico da Seleção. Meses antes, ele tinha assinado um manifesto exigindo a saída do presidente da CBF.