O juiz que deu socos e tiros no vestiário.

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Quando eu vi o pênalti do Mina não ser marcado para o Sport e o impedimento do Guerrero no gol de empate do Flamengo lembrei dos meus tempos de repórter, quando as arbitragens eram bem melhores do que hoje. Eu mesmo entrevistei uma dezena de juízes tecnicamente perfeitos, um deles, Dulcídio Wanderley Boschilia.

screen-shot-2016-10-24-at-11-19-29O policial Dulcídio começou apitando numa casa de detenção onde os jogos eram disputados por detentos que ele mesmo tinha prendido. Por isso, talvez ele nunca tenha sentido medo dentro de campo.

Anos depois, na cidade paulista de Penápolis, a torcida tentou invadir o vestiário e ele não teve dúvida: abriu a mochila, pegou o seu 38, deu três tiros para cima e foi embora.

Em outro jogo, também no interior paulista, a briga foi feia com alguns torcedores que apareceram bravos no vestiário. O invasor que mais apanhou deu queixa na polícia e, antes de seguir para o depoimento, Dulcídio foi até o banheiro, abriu a camisa e raspou o corpo com uma tampinha de cerveja. Na delegacia, mostrou o peito com sangue e disse: “Delegado, eu precisava me defender”.

Em 1977, o Alemão, como ele era chamado, virou notícia ao expulsar o centroavante da Ponte Preta, Rui Rei, na decisão do campeonato paulista. Segundo as más línguas, isso teria ajudado o Corinthians a conquistar o título depois de 23 anos.

Não vou defender as atitudes violentas e nem ousaria dizer que ele não errava, mas de uma coisa eu tenho certeza: o Dulcídio não teria medo de marcar o pênalti do Mina ou o impedimento do Guerrero, mesmo que os lances estivessem prejudicando Palmeiras e Flamengo.

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