Pouca gente sabe desta história

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Das 108 medalhas que o Brasil conquistou em 21 olimpíadas, 23 foram de ouro. E, entre os nossos 12 bicampeões olímpicos, o primeiro e mais importante foi sem dúvida Adhemar Ferreira da Silva.

adhemar-definitivaNa Olimpíada de Helsinque, em 1952, ele bateu quatro vezes o recorde mundial do salto triplo. Quatro anos depois, em Melbourne, veio o bicampeonato.

Tudo começou numa tarde chuvosa de março de 1947. O filho de um ferroviário e de uma cozinheira tinha 19 anos e ajudava no sustento da família trabalhando como office-boy. Naquele dia, para se proteger da chuva forte, ele se refugiou na entrada do Cine Ipiranga, quase na esquina das avenidas Ipiranga com São João.

Como o Adhemar tinha um único par de sapatos e precisava usá-los à noite para ir ao colégio, não pensou duas vezes. Descalço, deu alguns passos para trás, tomou impulso e saltou várias vezes por cima da água que corria no meio da avenida. Ele praticamente voou até o outro lado, na entrada do Cine Marabá.

A poucos metros dali, em frente ao Jeca Tatu, tradicional bar da esquina mais famosa da cidade, estava parado o treinador alemão Dietrich Gerner, que não acreditou no que viu e intimou o Adhemar a se apresentar no Clube de Regatas Tietê. No dia seguinte, calçando uma sapatilha velha de atletismo, o rapaz pobre da Casa Verde saltou 12m90, quase 2 metros a mais do que os iniciantes no salto triplo.

Quem me contou essa linda história foi o próprio Adhemar na época em que eu editava um jornal de atletismo e ele era o meu consultor. Que saudade eu sinto dele.

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